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Real Alcázar de Sevilha · Sevilha · Guia independente

Audioguia do Real Alcázar de Sevilha,
cinco paradas, grátis.

Sede do poder desde que Abderramão III mandou erguê-lo em 913, e palácio há mais de mil anos: ouça cinco dos seus lugares nesta aba e depois fotografe o resto para o Chiaro narrar.

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Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Real Alcázar de Sevilha.

9:41

A Puerta del León, vista da Plaza del Triunfo

Real Alcázar de Sevilha, Sevilha

0:00 2:13
Parada 1 de 5

As cinco paradas · 12 minutos de áudio

Cinco paradas, um percurso,
na ordem em que você vai vê-las.

Comece este audioguia autoguiado do Real Alcázar de Sevilha na Plaza del Triunfo, de costas para a catedral, porque a primeira parada toca diante da Puerta del León, a porta no muro vermelho, antes de qualquer controle de ingressos. Passada a porta, o percurso atravessa o Patio del León até o Patio de la Montería, onde você fica de frente para a fachada entalhada do palácio de Pedro I; dentro do palácio vêm o Pátio das Donzelas e, logo ao lado, a cúpula dourada do Salão dos Embaixadores; depois o caminho segue pelo Palácio Gótico e sai nos jardins, onde a quinta parada fica junto ao Tanque de Mercúrio. Dali, os jardins levam você, dando a volta, até a saída pelo Apeadero, no Patio de Banderas. Ouvidas em sequência, as cinco paradas duram uns dez minutos, e as quatro do lado de dentro ficam todas no térreo dos palácios ou nos jardins.

Os horários, os preços e as regras de entrada desta página foram tirados do site do próprio Patronato del Real Alcázar, alcazarsevilla.org, do seu mapa impresso para visitantes e da loja de ingressos para a qual ele aponta, e comparados linha a linha em 26 de setembro de 2026; a parte histórica se apoia nas descrições que o Patronato faz de cada espaço e na Wikipédia. O Alcázar continua sendo residência real, e o Patronato pode fechar um pátio ou um jardim para manutenção ou por um alerta meteorológico, então o que a equipe disser no dia vale mais do que esta página; se as duas coisas não baterem, avise a gente e corrigimos a página.

Parada 1 de 5 · Plaza del Triunfo, de frente para o muro vermelho da porta, entre as duas torres; do lado de fora do controle de ingressos

A Puerta del León, vista da Plaza del Triunfo

Porta em estilo almóada na muralha externa; o leão de azulejos, feito na fábrica Mensaque de Triana a partir de um desenho de Manuel Tortosa y Fernández com José Gestoso (1852–1917) · Porta numa muralha árabe do século XII; painel de azulejos da década de 1890 · Muro de pedra e tijolo com 8,5 m de altura, ameias com remate em pirâmide e um painel de azulejos vidrados

Repare em

  • O leão de azulejos sobre o arco: coroado, com uma cruz numa pata, uma lança sob os pés e a faixa AD VTRVMQVE atravessando o peito. Foi ele que deu à porta o nome que ela tem desde o século XIX.
  • A pequena caixa de pedra sobre duas mísulas entalhadas, logo acima do painel. É um mata-cães, uma abertura para jogar coisas em quem tentasse forçar a porta.
  • À esquerda do arco, dois medalhões polilobados em relevo, bem gastos. Um deles parece conter um quadrúpede, e é em parte por isso que a porta já se chamou Porta da Caça.
  • A fileira de ameias com remate em pirâmide no alto do muro, entre as duas torres.
Transcrição (2:13)

Você está na Plaza del Triunfo, com a catedral atrás de você e um muro vermelho à frente, e esse muro vermelho é a entrada. Entre as duas torres de pedra, sob uma fileira de ameias com remate em pirâmide, fica a Puerta del León, a Porta do Leão, entrada principal do Real Alcázar. Ela tem oito metros e meio de altura, é em estilo almóada, e a muralha árabe que ela atravessa é do século XII, muito mais antiga do que o palácio lá atrás. E a ideia de poder neste lugar é mais antiga ainda: em 913, Abderramão III, então emir de Córdoba e, anos depois, o seu primeiro califa, mandou construir aqui, na borda sul da cidade, uma nova sede de governo.

Agora olhe o painel de azulejos sobre o arco. Um leão coroado, desenhado à maneira gótica, com uma cruz erguida numa pata e uma lança deitada sob os pés. Atravessando o peito corre uma faixa com duas palavras latinas, Ad utrumque, para uma coisa e para a outra. Falta ao lema a última palavra, paratus. Pronto para as duas.

E aqui vem a surpresa: o leão não é medieval. Já havia um leão pintado lá em cima quando Richard Ford desenhou a porta em 1832, mas no início da década de 1890 ele foi trocado por estes azulejos, feitos na fábrica Mensaque de Triana a partir de um desenho elaborado com o historiador José Gestoso.

O nome chegou junto com o leão. Durante séculos esta foi a Puerta de la Montería, a Porta da Caça. Um historiador do século XVII contava que o rei saía a cavalo por ela com seus monteiros, o que não é difícil de acreditar: o pai de Pedro I, Afonso XI, gostava tanto de caçar que escreveu um livro sobre o assunto. À esquerda do arco dá para distinguir dois medalhões polilobados esculpidos em relevo, bem gastos, e num deles algo parecido com um quadrúpede. Só no século XIX, entre os escritores românticos, é que se começou a chamá-la de Porta do Leão.

Acima do painel, procure a pequena caixa de pedra que se projeta sobre duas mísulas entalhadas. É um mata-cães, uma abertura para jogar coisas em quem tentasse forçar a porta. Depois de passar pela porta, só um trecho de muralha almóada aberto por três arcos separa este primeiro pátio do seguinte, onde começa o palácio. Esse primeiro pátio chegou a ter até um teatro, o Corral de la Montería, que abriu em 1625 e pegou fogo em 3 de maio de 1691.

Parada 2 de 5 · Patio de la Montería, no meio do pátio, de frente para a fachada do palácio

A fachada do palácio de Pedro I, do outro lado do Patio de la Montería

Artesãos de Toledo, Granada e Sevilha a serviço de Pedro I de Castela (1334–1369) · 1356–1366; a inscrição traz o ano 1402 da era hispânica, que corresponde a 1364 · Pedra e tijolo com estuque entalhado, azulejo vidrado e um beiral de madeira entalhada sobre muqarnas dourados

Repare em

  • A faixa de azulejos azuis e brancos logo abaixo do beiral, em escrita cúfica angulosa. Por muito tempo foi lida como uma data; é o lema nasrida, não há vencedor senão Deus, repetido de ponta a ponta.
  • A linha de letras góticas que emoldura esses azulejos, em castelhano, com o nome de dom Pedro e a era de 1402.
  • O fundo beiral de madeira bem no alto, apoiado em muqarnas dourados.
  • As janelas sobre a porta: uma tripla no centro e uma dupla de cada lado, com arcos lobulados sobre finas colunas de mármore.
Transcrição (2:30)

Passe pelo arco triplo, entre no grande pátio aberto e pare no meio. Este é o Patio de la Montería, onde os monteiros do rei se reuniam antes de uma caçada, e o edifício à sua frente é a fachada do palácio que Pedro I de Castela construiu entre 1356 e 1366.

Olhe primeiro para o conjunto, e ele parece uma página tirada de Granada. Painéis de estuque entalhado, arcos lobulados sobre finas colunas de mármore, faixas de azulejo vidrado e, bem no alto, um fundo beiral de madeira sobre muqarnas dourados, aquela talha em forma de favo de mel que parece escorrer das mísulas. A semelhança não é por acaso. O aliado de Pedro, Muhammad V, o sultão nasrida por trás de boa parte da Alhambra, foi seu hóspede aqui e encontrou refúgio neste Alcázar, e muito provavelmente mandou artesãos para ajudar. Os trabalhadores vieram de Toledo, de Granada e da própria Sevilha.

Agora encontre a faixa de azulejos azuis e brancos logo abaixo do beiral. Ela está escrita em cúfico, uma escrita árabe angulosa, e por muito tempo foi tomada pela data do edifício. Não é. É o lema nasrida, repetido de ponta a ponta: wa la ghaliba illa Allah, não há vencedor senão Deus.

Depois leia a linha de letras góticas que emoldura os azulejos. Essa está em castelhano, e é um rei falando de si mesmo: o muito alto, muito nobre, muito poderoso e muito conquistador dom Pedro, pela graça de Deus rei de Castela e de Leão, mandou fazer estes alcáceres, estes palácios e estes portais, na era de mil quatrocentos e dois. Pela nossa contagem, 1364.

Duas inscrições, duas fés, uma só portada. O próprio registro de patrimônio da cidade de Sevilha vê nessa dupla um sinal da tolerância de Pedro com outras religiões. Entre 1363 e 1365, a corte de Granada mandou para cá dois homens notáveis para assinar a paz com ele, o historiador Ibn Khaldun e o poeta Ibn al-Khatib. Mas Pedro teve pouco tempo para aproveitar tudo isso: a guerra civil com o meio-irmão Henrique estourou em 1366 e terminou com a morte de Pedro em 1369.

Antes de entrar, pense no que está debaixo dos seus pés. Sob este calçamento estão os alicerces de palácios almóadas do século XII. Um deles, construído por volta de 1150, foi encontrado aqui em 1997; tinha sido derrubado em 1356 para abrir espaço para a fachada à sua frente. E na longa ala com arcadas do lado oeste do pátio foi instalada em 1503 a Casa de la Contratación, que comandava o comércio de Sevilha com as Américas de dentro de um palácio real.

Parada 3 de 5 · Palacio del Rey Don Pedro (palácio de Pedro I), Pátio das Donzelas, na ponta do espelho d'água

O Pátio das Donzelas (Patio de las Doncellas)

Construtores a serviço de Pedro I de Castela (1334–1369); galeria superior para o imperador Carlos V, com projeto de Luis de Vega · Térreo 1356–1366; galeria superior 1540–1572; jardim soterrado em 1580–1584 e descoberto a partir de 2002 · Estuque entalhado sobre colunas de mármore em torno de um pátio de 21 por 15 metros, com um espelho d'água central e dois canteiros rebaixados de um metro de profundidade

Repare em

  • A rede de losangos entalhada no estuque acima dos arcos, chamada sebka. O Patronato a inclui, junto com o arco lobulado, entre os motivos almóadas mais característicos.
  • As colunas de mármore branco com capitéis renascentistas, esculpidas em Gênova na década de 1560 e colocadas sob arcos do século XIV.
  • A galeria superior de arcos de volta perfeita e balaustrada, acrescentada para Carlos V entre 1540 e 1572.
  • Os dois canteiros rebaixados de cada lado do espelho d'água, com as paredes decoradas por arcos entrelaçados, que ficaram sob um piso de mármore até 2002.
Transcrição (2:31)

Da penumbra dos corredores de entrada você sai para a luz: este é o Pátio das Donzelas, o Patio de las Doncellas, o centro da parte pública do palácio de Pedro I. Ele mede vinte e um metros por quinze e tem arcadas por todos os lados, com sete arcos nos lados compridos e cinco nos curtos.

Antes de mais nada, olhe os arcos. Cada um é lobulado, recortado numa fileira de pequenas ondas, e acima deles a parede é coberta por uma rede de losangos entrelaçados entalhada no estuque, o que se chama sebka. O Patronato inclui esses dois motivos, o arco lobulado e a rede de losangos, entre os mais característicos dos almóadas, que governaram Sevilha muito antes de Pedro. Chegando mais perto você vê conchas, símbolo de fertilidade e de vida, a mão de Fátima, para proteção, e faixas de escrita árabe. Em quase todos os rodapés de azulejo deste palácio, o árabe diz: glória ao nosso senhor, o sultão dom Pedro, que Deus o proteja. Em outro ponto deste mesmo pátio ele é simplesmente o sultão dom Bidru. Um rei cristão de Castela, chamado de sultão nas suas próprias paredes.

Agora olhe para cima, e o século muda. A galeria superior, com arcos de volta perfeita e balaustrada, foi construída entre 1540 e 1572 para o imperador Carlos V, com projeto de Luis de Vega no estilo do Renascimento italiano e capitéis feitos em Gênova. Nem as colunas aqui embaixo são de Pedro: entre 1560 e 1569 elas foram trocadas por colunas novas esculpidas em Gênova. Ou seja, uma arcada do século XIV se apoia em mármore italiano do século XVI.

Depois olhe para baixo, para o espelho d'água e os dois canteiros rebaixados de cada lado dele, um metro abaixo da passagem, com as paredes decoradas por arcos entrelaçados. Esta é a melhor história do passeio. Entre 1580 e 1584 tudo isso foi soterrado. Trouxeram artesãos de Macael, Espera e Acán, um piso de mármore cobriu o pátio inteiro e no meio foi colocada uma fonte renascentista. Por mais de quatrocentos anos as pessoas atravessaram este pátio sem ter ideia de que havia um jardim debaixo dos seus pés. Os arqueólogos encontraram o espelho d'água e os canteiros em 2002, e depois das escavações dirigidas por Miguel Ángel Tabales, que foram até 2005, o pátio voltou a ser mostrado como tinha sido traçado no século XIV.

O nome vem de uma velha lenda, que ninguém leva a sério como história, segundo a qual os governantes muçulmanos exigiam dos reinos cristãos um tributo anual de cem donzelas. O que é certo é que em 2024 a casa da moeda espanhola cunhou um milhão e meio de moedas de dois euros com este pátio em relevo numa das faces, então talvez você já o tenha carregado no bolso.

Parada 4 de 5 · Palacio del Rey Don Pedro (palácio de Pedro I), Salão dos Embaixadores (Salón de Embajadores), com entrada pelo Pátio das Donzelas; fique no centro e olhe para cima

O Salão dos Embaixadores e a sua cúpula dourada

Construtores a serviço de Pedro I de Castela (1334–1369); cúpula do carpinteiro Diego Ruiz; friso de reis pintado por Diego de Esquivel · Década de 1360; cúpula de 1427; friso de reis 1599–1600; sacadas do fim do século XVI · Cúpula de madeira entalhada e dourada sobre uma sala quadrada de quase 10 metros de lado, com paredes de azulejo e estuque entalhado

Repare em

  • Os muqarnas dourados nos quatro cantos, que trazem a cúpula redonda para baixo, sobre a sala quadrada. O Patronato os descreve como uma estrela que une o quadrado ao círculo.
  • O padrão de estrelas entrelaçadas da própria cúpula, entalhado e dourado por Diego Ruiz em 1427.
  • A fileira de reis pintados logo abaixo da cúpula, cinquenta e seis, cada um com uma espada numa mão e um globo na outra.
  • As sacadas de ferro forjado no alto das paredes, acrescentadas no reinado de Filipe II, no fim do século XVI.
Transcrição (2:22)

Do pátio, passe pelas grandes portas de madeira para a sala quadrada do outro lado, fique no meio e olhe direto para cima. Este é o Salão dos Embaixadores, a sala do trono de Pedro I, onde ele recebia os visitantes importantes da sua época. E aquela é a cúpula dourada.

A forma tem um significado. A sala é quadrada, com quase dez metros de lado, como a sala com cúpula que o mundo islâmico chamava de qubba: o quadrado representa a terra, e a cúpula em cima, o universo. O problema de assentar uma cúpula redonda sobre uma sala quadrada é resolvido nos quatro cantos, onde uma talha dourada em forma de favo de mel, os muqarnas, sobe e transforma o quadrado em círculo. O Patronato descreve isso como uma estrela que une um ao outro. Daqui de baixo, parece que os cantos estão derretendo.

A cúpula é mais nova que a sala. Em 1427, no reinado de João II, a cúpula original, salpicada de estrelas como um céu noturno, foi substituída por esta, feita pelo carpinteiro Diego Ruiz. Ela é de madeira entalhada e dourada, uma meia esfera do tipo que os espanhóis chamam de media naranja, meia laranja, e é por isso que a sala também é conhecida como Salão da Meia Laranja. Siga qualquer uma das suas linhas e ela nunca para: estrelas dentro de estrelas, entrelaçadas até o topo.

Agora baixe os olhos para a faixa logo abaixo da cúpula. Há uma fileira de pequenos reis pintados, cinquenta e seis, obra de Diego de Esquivel em 1599 e 1600. Eles vão em ordem, de Chindasvinto a Filipe III, cada um sentado e coroado, com uma espada na mão direita e um globo na esquerda, e embaixo o seu brasão e os anos do seu reinado. Pedro está entre eles, na metade sul. As sacadas de ferro forjado que saem das paredes vieram mais ou menos na mesma época, no reinado de Filipe II.

Mais duas coisas antes de seguir. As portas de madeira por onde você entrou são do século XIV: na face externa, inscrições árabes louvam o senhor do palácio, e no alto da face interna letras latinas trazem um salmo e o começo do Evangelho de São João. E em cada um dos outros três lados, um arco triplo em ferradura sobre colunas de mármore leva à sala seguinte; o que é decorado com aves é o Arco dos Pavões.

Talvez você ouça dizer que Pedro reaproveitou uma sala do palácio do século XI do rei poeta al-Mu'tamid, a Sala das Plêiades. É uma ideia linda, mas os historiadores não a aceitaram de forma ampla. O que é certo é o casamento. Em 1526, o imperador Carlos V se casou com Isabel de Portugal neste salão, sob esta cúpula.

Parada 5 de 5 · Jardins, Tanque de Mercúrio (Estanque de Mercurio), no caminho do lado mais próximo do tanque, de frente para a Galería del Grutesco

O Tanque de Mercúrio e a Galería del Grutesco

Mercúrio de Diego de Pesquera, fundido por Bartolomé Morel; a galeria em forma de gruta de Vermondo Resta (morto em 1625); afrescos de Diego de Esquivel · Tanque a partir de 1575, estátua de 1576; galeria por volta de 1612 sobre uma muralha almóada do século XII · Figura e grade de bronze sobre um reservatório elevado, tendo ao fundo uma galeria de pedra rústica e afrescos sobre um muro de 160 metros de comprimento

Repare em

  • O Mercúrio de bronze sobre a sua fonte no meio da água, e os leões segurando escudos e as bolas com remate pontudo da grade, tudo da mesma fundição. Procure vestígios do dourado que eles já tiveram.
  • O trabalho rústico do muro ao fundo: pedra empilhada para parecer rocha brotando da velha muralha, a piada maneirista de Vermondo Resta.
  • As figuras em afresco nos nichos em arco, pintadas por Diego de Esquivel.
  • O pavilhão com ameias no alto da galeria, e os jardins que descem abaixo do nível do tanque.
Transcrição (1:58)

Você saiu do Palácio Gótico para os jardins, e a primeira coisa à sua frente é água: um tanque elevado com um deus de bronze de pé no meio e, atrás, um muro que parece ter virado rocha. Este é o Estanque de Mercurio, o Tanque de Mercúrio, e ele fica no nível do palácio, mais alto que o resto dos jardins, que descem abaixo de você.

Ele começou como encanamento. Era um reservatório que recolhia a água dos Caños de Carmona, o aqueduto romano que os muçulmanos reaproveitaram, e daqui ela saía para regar as hortas e os jardins do Alcázar. A partir de 1575 virou ornamento. O Mercúrio de bronze no centro, datado de 1576, foi modelado por Diego de Pesquera e fundido por Bartolomé Morel, e os mesmos autores fizeram a grade em volta do tanque, os leões segurando escudos nos cantos e as dezoito bolas com remate pontudo. Todas essas peças foram douradas quando foram feitas, e aqui e ali sobrevive um vestígio do ouro. O Patronato fez trabalhos de conservação no tanque e nas suas esculturas.

Agora o muro. Ele tem cento e sessenta metros de comprimento e começou como uma muralha almóada do século XII, erguida contra atacantes e contra as cheias do riacho Tagarete. Por volta de 1612, o arquiteto Vermondo Resta o transformou numa loggia, uma galeria para contemplar os jardins. A ideia dele era fazer a pedra parecer rocha bruta brotando da velha muralha, massas toscas empilhadas em colunas, para que arquitetura e natureza parecessem se misturar. Nos nichos em arco entre elas há afrescos de Diego de Esquivel com cenas da mitologia clássica. O pavilhão com ameias lá em cima faz parte do passeio superior da galeria.

Descendo os degraus ao lado do tanque fica o Jardín de la Danza, traçado na década de 1570, e dali uma passagem leva aos Baños de Doña María de Padilla. O nome é o da amante de Pedro, mas a longa cisterna abobadada lá embaixo não tem nada a ver com ela: faz parte do palácio gótico de Afonso X.

Estes jardins tiveram admiradores. Em 1910 o pintor Joaquín Sorolla trabalhou aqui, e uma das suas telas se chama Rincón de grutesco del Alcázar de Sevilla, um canto desta mesma galeria. E as laranjas das árvores por onde você vai passar a caminho da saída foram parar na geleia de laranja da rainha Elizabeth II.

Guia independente · Chiaro

Aponte o Chiaro para qualquer coisa no Real Alcázar de Sevilha.

Debaixo de uma única cúpula estão sentados aqui cinquenta e seis reis pintados, e este guia só chega a dar nome a três deles. O palácio de Pedro I é coberto de letras do chão ao teto: lemas em cúfico, bravatas em castelhano com letra gótica, brasões, um rei cristão chamado de sultão. Fotografe a inscrição ou o azulejo à sua frente e o Chiaro traduz o texto, diz quem mandou fazer e de quando é, e continua respondendo até você chegar aos jardins.

O que diz esta inscrição em árabe?Que rei é este no friso pintado?Por que este jardim fica abaixo do caminho?

Antes de ir

01

Como chegar

Patio de Banderas s/n, 41004 Sevilha, o endereço do próprio Patronato. A entrada é pela Puerta del León, a vermelha, na Plaza del Triunfo, a praça que o Alcázar divide com a catedral e o Archivo General de Indias, e a saída é pelo lado do Patio de Banderas, junto ao Apeadero. A bilheteria fica no Patio de Banderas.

Linha 1 do metrô até Puerta Jerez, a estação mais próxima do centro histórico. O bonde Metrocentro, linha T1, para em Archivo de Indias, nome que vem do prédio da própria Plaza del Triunfo, e em Puerta de Jerez.

02

Ingressos e acesso

  • A entrada é em horários de 30 minutos com vagas limitadas, e o horário impresso no ingresso tem de ser respeitado. A venda online é feita só pela loja oficial de ingressos indicada em alcazarsevilla.org; a bilheteria do Patio de Banderas abre às 09:00, vende só para o mesmo dia e só aceita cartão. Nas datas mais cheias os ingressos esgotam com antecedência, não podem ser trocados nem reembolsados, e o documento de identidade usado na compra é conferido na porta.
  • O ingresso geral, de 15,50 €, cobre o térreo dos palácios e os jardins, ou seja, todas as paradas desta página. O ingresso reduzido custa 8 € para maiores de 65 anos e estudantes de 14 a 30 anos. Crianças de até 13 anos acompanhadas de um adulto não pagam, e o mesmo vale para quem nasceu ou mora na cidade de Sevilha, que precisa reservar com antecedência.
  • O Cuarto Real Alto, os aposentos reais do andar de cima do palácio de Pedro I, é uma visita organizada à parte, por 5,50 € a mais, e os telhados do Palácio Gótico com o passeio superior da Galería del Grutesco são vendidos como outra visita separada. Nenhuma das duas é necessária para este percurso.
  • O Patronato tem dois horários: das 09:30 às 17:00 entre 1º de outubro e 31 de março, quando a equipe começa a esvaziar o recinto às 17:45, e das 09:30 às 19:00 entre 1º de abril e 30 de setembro, quando o esvaziamento começa às 19:45. Fica fechado em 1º e 6 de janeiro, na Sexta-feira Santa e em 25 de dezembro; na véspera de Natal e na véspera de Ano-Novo abre só de manhã.
Ingressos oficiais →
03

O audioguia oficial

O audioguia do próprio Patronato é um guia web para o celular: escaneie o QR code da página Prepara la visita de alcazarsevilla.org, ou toque no link que está lá, e ele abre com um roteiro recomendado pelos palácios e jardins. Essa página não informa preço. Esta aqui cobre menos lugares e vai mais fundo: cinco pontos, vários minutos para cada um, e o roteiro completo escrito embaixo do player, para que um pátio cheio de vozes não atrapalhe.

Site oficial →

Perguntas

Existe um audioguia grátis do Real Alcázar de Sevilha?

Existe, e é este que você está lendo: cinco paradas da Puerta del León ao Tanque de Mercúrio, tocadas de graça no navegador do celular, com o roteiro de cada uma escrito por inteiro. O Patronato também tem seu próprio audioguia web, que abre ao escanear um QR code na sua página para visitantes. Para um azulejo, um teto ou uma porta entre uma parada e outra, tire uma foto e o Chiaro narra o que estiver nela.

Alguma parte deste audioguia do Real Alcázar funciona do lado de fora da porta?

A primeira parada, sim. Ela é ouvida na Plaza del Triunfo, olhando para a Puerta del León, antes de qualquer controle de ingressos. As outras quatro, a fachada do palácio de Pedro I, o Pátio das Donzelas, o Salão dos Embaixadores e o Tanque de Mercúrio, ficam do lado de dentro e exigem o ingresso geral, que cobre o térreo dos palácios e os jardins.

Quanto custa o audioguia oficial do Real Alcázar de Sevilha?

A página Prepara la visita do Patronato oferece o audioguia por um QR code que você escaneia com o seu próprio celular, e não informa nenhum preço. O guia abre como uma página web, com um roteiro sugerido pelos palácios e jardins.

O Cuarto Real Alto faz parte da visita normal?

Não. O ingresso geral cobre o térreo dos palácios e os jardins. O Cuarto Real Alto, no andar de cima do palácio de Pedro I, é uma visita parcial organizada, vendida à parte por 5,50 € a mais, e nenhuma das cinco paradas deste guia precisa dela.

Em que dias o Real Alcázar fecha?

Quatro dias por ano ele não abre: 1º e 6 de janeiro, Sexta-feira Santa e 25 de dezembro. Na véspera de Natal e na véspera de Ano-Novo abre só de manhã. Em todos os outros dias os portões abrem às 09:30 e fecham às 17:00 de outubro a março e às 19:00 de abril a setembro.

Mais audioguias

Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Real Alcázar de Sevilha.