Park Güell · Barcelona · Guia independente
Audioguia do Park Güell,
cinco paradas, grátis.
Doze hectares de encosta que Gaudí começou a traçar em outubro de 1900, contados em cinco gravações, cada uma com o texto escrito embaixo. Para qualquer outro azulejo do parque, aponte a câmera do Chiaro e pergunte.
Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Park Güell.
O muro da Carrer d'Olot e os pavilhões da portaria
Park Güell, Barcelona
Essa foi a parte gratuita
A partir de uma foto, o Chiaro apresenta o Park Güell em cada detalhe.
As cinco paradas · 11 minutos de áudio
Cinco paradas, um percurso,
na ordem em que você vai vê-las.
O audioguia do Park Güell aqui embaixo é gratuito e você faz o percurso por conta própria: ele vai de uma calçada pública até uma onda de pedra inclinada, passando pelo banco mais famoso do parque. Toque a primeira parada na Carrer d'Olot, em frente ao portão principal do lado sul, sem precisar de ingresso. Depois entre pelo acesso da Carrer de Larrard, que se alcança pela viela lateral na ponta onde se cruzam a Carrer d'Olot e a Carrer Marianao, e siga até o pé da escadaria monumental, logo depois do portão principal, para ver o dragão. Suba até a floresta de colunas no alto da escadaria, suba de novo até a Praça da Natureza, pare no banco do lado da cidade para apreciar a vista e termine atravessando o portão de ferro do lado da antiga Casa Larrard para entrar no pórtico de pedra inclinada. As distâncias são curtas mas íngremes, e embora as gravações durem uns dez minutos, o próprio parque calcula cerca de uma hora para uma visita média.
As regras de ingresso, os preços e as faixas de horário desta página foram tirados de parkguell.barcelona, o site oficial do parque, gerido em nome da Prefeitura de Barcelona, na versão de 26 de setembro de 2026, e a história foi conferida nas páginas de patrimônio do próprio parque e na Wikipédia. Aqui as entradas e os caminhos mudam de lugar conforme andam as obras, então, no dia da visita, quem decide são os funcionários do parque e os avisos colocados nos caminhos; se eles não baterem com o que está escrito aqui, mande uma mensagem e a gente corrige a página.
Richard Mortel from Riyadh, Saudi Arabia, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Foto: Richard Mortel from Riyadh, Saudi Arabia
Parada 1 de 5 · Carrer d'Olot, na calçada em frente ao portão principal, no lado sul do parque, de frente para dentro; rua pública, sem necessidade de ingresso
O muro da Carrer d'Olot e os pavilhões da portaria
Antoni Gaudí (1852–1926), por encomenda do industrial Eusebi Güell (1846–1918) · 1900–1903 · Muro de pedra rústica arrematado com cerâmica, com 210 m de comprimento e de 2 a 4 m de altura, e quinze medalhões de trencadís de 1,4 m de diâmetro; dois pavilhões de pedra com telhados de cacos de cerâmica
Repare em
- Os medalhões encaixados no alto do muro, quinze ao todo, alternando duas palavras: Park e Güell. A primeira está em inglês porque Güell queria um parque residencial ao estilo britânico.
- Acima do portão, a torre xadrez azul e branca do pavilhão da esquerda e sua cruz de quatro braços, destruída em 1936 e recolocada depois da Guerra Civil.
- A cúpula em forma de cogumelo do pavilhão da direita, provavelmente um agário-das-moscas. As lâminas sob o chapéu são xícaras de café de boca para baixo.
- O portão de ferro com folhas de palmeira. É de Gaudí, mas veio da Casa Vicens, uma das suas primeiras casas, e foi instalado aqui em 1965.
Transcrição (2:15)
Fique na calçada da Carrer d'Olot, de frente para o muro. É pedra bruta desta mesma encosta, 210 metros de muro, entre dois e quatro metros de altura, arrematado com cerâmica em faixas brancas e vermelhas. Nesse arremate estão encaixados os medalhões, quinze, cada um com 1,4 metro de diâmetro, repetindo sem parar duas palavras: Park, e Güell.
A primeira está em inglês de propósito. Eusebi Güell, o industrial que pagou por tudo isto, queria recriar os parques residenciais britânicos, e deu ao lugar um nome que deixasse isso claro. O que você tem na sua frente nunca foi pensado como parque público. Era um loteamento privado para famílias abastadas, umas sessenta parcelas triangulares numa encosta pelada e pedregosa que o povo chamava de Muntanya Pelada, a montanha careca. As regras eram rígidas. Só se podia construir em um sexto de cada lote, e cada casa tinha de ficar onde não tirasse do vizinho nem o sol nem a vista do mar. Güell entregou o projeto a Antoni Gaudí, e as obras começaram em outubro de 1900.
Agora olhe, acima do portão, os dois pavilhões. Eram a portaria do loteamento, e ficaram entre as primeiras coisas prontas: uma descrição publicada em 4 de janeiro de 1903 já dá como construídos os dois pavilhões, o muro externo e a grande escadaria que fica atrás deles. O da esquerda era a portaria propriamente dita, com uma sala de espera e uma cabine telefônica. É dele a torre xadrez azul e branca, coroada pela cruz de quatro braços que Gaudí gostava de apontar para os pontos cardeais. Essa cruz foi destruída em 1936 e recolocada depois da Guerra Civil. O pavilhão da direita era a casa do porteiro, a Casa del Guarda, e a cúpula no telhado é um cogumelo, muito provavelmente um agário-das-moscas. As lâminas sob o chapéu são xícaras de café, colocadas de boca para baixo entre os azulejos.
Esse é o método do parque inteiro, e ele tem nome: trencadís, que em catalão quer dizer quebrado em pedaços. Boa parte do material era refugo de fábrica e xícaras e pratos quebrados.
Depois, o portão, com o ferro forjado em forma de folhas de palmeira. É de Gaudí, mas veio da Casa Vicens, uma das suas primeiras casas, e foi instalado aqui em 1965. O que ele tinha planejado para esta entrada era mais estranho: um portão monumental com um par de gazelas mecânicas que se abririam junto com as folhas. Nunca foram construídas.
A maior parte do loteamento também não. Os compradores não apareceram, e em 1914 as obras pararam com apenas duas das sessenta casas de pé. Tudo o que existe depois deste portão foi feito para moradores que nunca chegaram.
Imelenchon, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto: Imelenchon
Parada 2 de 5 · Logo depois do portão principal, ao pé da escadaria monumental, olhando para cima, para as colunas da Sala Hipostila
A Escadaria do Dragão
Antoni Gaudí (1852–1926) · 1900–1903 · Pedra e trencadís; escadaria de dois lances gêmeos com 45 degraus, 20 m de comprimento e 8,1 m de largura; o dragão, com 2,4 m de comprimento, é de tijolo fino coberto de cacos de cerâmica
Repare em
- A boca aberta do dragão. Não é enfeite, é um extravasor: quando a cisterna de água da chuva sob a praça enche, o excesso sai por aqui.
- Na fonte do meio da escadaria, abaixo do dragão, o brasão da Catalunha atravessado por uma serpente, um dos vários acenos à identidade catalana nestes degraus.
- O pequeno tripé que sai da fonte do dragão, uma referência ao tripé do oráculo de Delfos.
- No alto do último lance, abrigado sob as colunas, o banco curvo do odeão, posicionado para pegar sol no inverno e sombra no verão.
Transcrição (2:17)
Pare ao pé dos degraus e olhe para cima, bem pelo meio. Dois lances sobem dos dois lados de uma sequência de fontes, quarenta e cinco degraus ao todo, vinte metros de baixo até em cima, e esperando lá no alto estão as colunas do salão coberto que sustenta a praça. A descrição que o próprio parque faz desta entrada promete exatamente esta vista, a escadaria com o salão em cima, e é a composição inteira num só olhar.
As paredes laterais são duas elipses de cerâmica, placas brancas convexas alternando com placas coloridas côncavas, muitas desenhadas por Pau Pujol, da fábrica de azulejos Pujol i Bausis, e terminam em ameias. Embaixo dos terraços que essas paredes sustentam há duas grutas. A da sua direita foi feita como abrigo de espera, e lá dentro a abóbada se apoia numa única coluna cônica que parece a pata de um elefante.
Agora suba com os olhos. A primeira fonte é toda rocha falsa e estalactites, com formas esquisitas, como de duendes, e escondidos nela há um círculo representando o mundo e um compasso representando o arquiteto. No meio da subida há um medalhão com o brasão da Catalunha atravessado por uma serpente. E, acima dele, o dragão.
Ele tem 2,4 metros de comprimento, é feito de tijolo fino coberto de trencadís, e o site do parque diz, sem exagero, que ele virou a imagem mais popular do lugar. Ninguém concorda sobre o que ele é. Pode ser a salamandra dos alquimistas, a criatura do fogo. Pode ser Píton, a serpente do templo de Delfos; acima dele há um pequeno tripé como aquele em que o oráculo se sentava, e há estudiosos que acham que Güell e Gaudí tomaram esse templo como modelo para o parque inteiro. Ou pode ser o crocodilo do brasão de Nîmes, a cidade francesa onde Güell cresceu.
O que ele com certeza é, é um escoadouro. A chuva que cai na praça lá em cima se infiltra até uma cisterna subterrânea de 1.200 metros cúbicos. Quando a cisterna passa do limite, o excesso tem uma só saída, e ela é a boca do dragão. Gaudí fez do animal mais famoso do parque o extravasor da sua cisterna.
Tanta fama cobrou o seu preço. O programa de conservação do parque inclui entre os seus projetos a restauração da pata dianteira direita do dragão: aqui, como em qualquer lugar, a fama também vem com conta de manutenção.
Mais uma coisa antes de subir. No alto do último lance, abrigado sob as colunas, há um banco curvo em forma de pequeno teatro grego, um odeão. Ele foi posicionado para pegar sol no inverno e ficar na sombra no verão.
Bautsch, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto: Bautsch
Parada 3 de 5 · No alto da Escadaria do Dragão, na colunata coberta sob a Praça da Natureza
A Sala Hipostila e o teto de Jujol
Antoni Gaudí (1852–1926); mosaicos do teto, de Josep Maria Jujol (1879–1949) · c. 1907–1909 · 86 colunas caneladas de argamassa e entulho, cada uma com 6,16 m de altura e 1,2 m de diâmetro, sob cúpulas rebaixadas de trencadís; quatro medalhões no teto com 3 m de diâmetro
Repare em
- As colunas externas, que se inclinam para dentro. As regras clássicas dizem que uma coluna fica reta; estas se inclinam para mostrar a carga que suportam.
- Os quatro grandes medalhões solares, com três metros de diâmetro, cada um num vão onde Gaudí tirou uma coluna. Eles representam as quatro estações.
- Os medalhões menores no centro das abóbadas, catorze, cheios de redemoinhos e espirais: as fases da lua.
- O topo de qualquer coluna: o bloco sob o teto é octogonal, e não quadrado como seria numa coluna dórica de verdade.
Transcrição (2:24)
Entre no meio das colunas e aproveite um instante de sombra. Você está dentro daquilo que sustenta a praça: oitenta e seis colunas caneladas, cada uma com 6,16 metros de altura e 1,2 metro de espessura, carregando um teto de cúpulas brancas rebaixadas. O salão era para ser o mercado do loteamento, um lugar coberto onde os moradores fariam compras. Quando o loteamento fracassou, a ideia do mercado foi abandonada.
As colunas são dóricas, ou fingem ser. Olhe o bloco no alto de qualquer uma delas. Numa dórica de verdade ele é quadrado; aqui é octogonal. E olhe o anel externo, as colunas mais perto da escadaria. Elas estão inclinadas. A arquitetura clássica chamaria isso de erro. A descrição do próprio parque diz melhor: a inclinação vai contra as regras da composição clássica e, ao mesmo tempo, faz você sentir o peso que elas carregam. Também não são de mármore. São de argamassa e entulho imitando mármore, com uma pele de cerâmica quebrada até 1,8 metro de altura.
Elas também são tubos de escoamento. A praça acima de você foi deixada sem pavimento de propósito, para que a chuva passe direto por ela, e dentro da colunata um conduto recolhe a água e a manda para uma cisterna sob os seus pés. É a cisterna cujo excesso você acabou de ver saindo pela boca do dragão.
Agora olhe para cima. O projeto previa noventa colunas. Gaudí deixou quatro de fora, e nos quatro vãos do teto colocou quatro grandes medalhões redondos, com três metros de diâmetro. São sóis de vinte pontas, e representam as estações. Em volta deles, no centro das abóbadas menores, há catorze medalhões de cerca de um metro, cheios de redemoinhos, hélices e espirais. São as fases da lua. Onde faltam colunas, o espaço se abre no que parecem três naves, como numa igreja.
O homem que fez esse teto foi Josep Maria Jujol, nascido em Tarragona em 1879, vinte e sete anos mais novo que Gaudí e o mais inventivo de todos os seus colaboradores. Ele também trabalhou com Gaudí na Casa Batlló e na Casa Milà. Ali em cima, trabalhou com cacos de cerâmica e puro material de descarte. Se você quer um único lugar no parque onde ver a imaginação de um assistente correndo solta dentro da estrutura do mestre, é este teto.
A história do próprio parque situa o teto bem cedo: em 1907 a praça lá em cima já era usada para eventos, o que o parque entende como sinal de que este salão já tinha teto. Os medalhões precisaram de cuidados desde então, e aparecem na lista de projetos de conservação do próprio parque. Fique um momento embaixo do sol mais próximo antes de seguir. Alguém escolheu cada um desses cacos.
Leandro Neumann Ciuffo, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons, recortada. Foto: Leandro Neumann Ciuffo
Parada 4 de 5 · Praça da Natureza, junto ao banco do lado da escadaria, com a vista por cima dos pavilhões da entrada em direção à cidade e ao mar
A Praça da Natureza e o banco ondulado
Antoni Gaudí (1852–1926); o banco, de Josep Maria Jujol (1879–1949) · Praça já em uso em 1907; banco construído entre 1909 e 1914 · Esplanada de 86 por 43 m, parte escavada na rocha e parte apoiada sobre a Sala Hipostila; banco de trencadís com 110 m de comprimento
Repare em
- As pequenas imagens e palavras incrustadas no banco entre os padrões abstratos: signos do zodíaco, estrelas, flores, peixes, caranguejos e as frases de Jujol à Virgem em catalão e em latim.
- O ritmo do banco: trechos côncavos e convexos de mais ou menos um metro e meio, de modo que as pessoas acabam sentadas em grupinhos, frente a frente.
- Bem embaixo, por cima do encosto do banco: a escadaria, os dois pavilhões da primeira parada e, mais além, a cidade e o mar com que o loteamento era vendido.
- O chão em que você pisa, deixado sem pavimento de propósito para que a chuva se infiltre até a cisterna sob as colunas.
Transcrição (2:16)
Chegue até o encosto do banco do lado da cidade e olhe para baixo. Logo embaixo está a escadaria que você subiu, depois os dois pavilhões com o cogumelo e a cruz, e mais além a Barcelona inteira descendo até o mar. Essa vista era o que Güell vendia. A história do próprio parque conta que ele escolheu esta colina pelo ambiente saudável e pelas vistas esplêndidas sobre o mar e a planície.
O chão embaixo de você não é chão. Os planos originais chamavam isto de Teatro Grego, um palco para grandes espetáculos ao ar livre, assistidos dos terraços em volta, e é artificial: uma parte foi escavada na rocha da montanha, e o resto está apoiado nas colunas que você acabou de atravessar. Tem 86 metros de comprimento por 43 de largura, e foi deixado sem pavimento de propósito, para que a chuva passe por ele até a cisterna embaixo. Hoje se chama Praça da Natureza.
Agora, o banco. Ele se estende por 110 metros e é obra de Josep Maria Jujol, que o construiu entre 1909 e 1914. Sente-se um instante e repare no que acontece com as suas costas: o assento é feito de trechos côncavos e convexos de mais ou menos um metro e meio, moldados ao corpo, e as curvas viram as pessoas umas para as outras, em grupinhos. Foi pensado tanto para a conversa quanto para o descanso.
Depois olhe a superfície de perto. É azulejo quebrado, garrafas e pedaços de louça, quase tudo abstrato, mas não tudo. Procure ao longo do banco e você vai achar signos do zodíaco, estrelas, flores, peixes e caranguejos. Jujol também incluiu rosas, cruzes e frases em catalão e em latim em louvor à Virgem Maria, e aqui e ali a letra J, de Jujol. É menos um banco do que um álbum de recortes de cem metros.
A praça nunca ficou vazia por muito tempo. Ainda em vida de Güell, o parque era um dos grandes passeios da cidade, e ele cedia esta esplanada para encontros patrióticos catalães e para dançar a sardana, a dança tradicional da Catalunha. Em 1906 aconteceu no parque a recepção ao ar livre do Primeiro Congresso Internacional da Língua Catalã.
Güell morreu em 1918. Os herdeiros ofereceram o parque à cidade, a Prefeitura aprovou a compra em 26 de maio de 1922, e o parque abriu ao público em 1926, o ano em que Gaudí morreu. O próprio Gaudí tinha morado aqui por quase vinte anos, na casa-modelo do loteamento, de 1906 a 1925. As casas nunca vieram. O que veio no lugar delas foi você, e a vista por cima dos pavilhões até o mar, a mesma que as sessenta parcelas foram traçadas para compartilhar.
Ronny Siegel, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons, recortada. Foto: Ronny Siegel
Parada 5 de 5 · Ao lado da Praça da Natureza, depois de um portão de ferro original, no lado da praça voltado para a antiga Casa Larrard, hoje uma escola
O Pórtico da Lavadeira
Antoni Gaudí (1852–1926) · Construído durante as obras do loteamento, entre 1900 e 1914 · Pedra bruta do próprio terreno: uma galeria de 83 m de comprimento sobre uma colunata dupla cujas colunas internas se inclinam contra a encosta, encostada num muro de contenção
Repare em
- A lavadeira: uma coluna esculpida como uma mulher carregando uma trouxa, as ferramentas do seu ofício. O pórtico inteiro leva o nome dela.
- A inclinação das colunas internas contra a encosta. Elas são contrafortes tanto quanto apoios, e seguram o morro.
- A própria pedra, deixada bruta e sem lavrar, como a dos viadutos que Gaudí ergueu com rocha tirada deste morro.
- O portão de ferro por onde você passou, que Salvador Dalí comparou a fígados de vitela.
Transcrição (1:55)
Você deixou a praça iluminada para trás por um portão de ferro, e a luz muda na hora. Salvador Dalí dizia que o ferro forjado desse portão parecia fígado de vitela. Guarde isso e olhe para ele de novo mais tarde.
Na sua frente há uma galeria de pedra bruta que se curva sobre a sua cabeça como uma onda prestes a quebrar. Ela corre por 83 metros junto a um muro de contenção, e é sustentada por uma colunata dupla cujas colunas internas se inclinam contra a encosta. O próprio parque a chama de um dos melhores exemplos da arquitetura orgânica de Gaudí, e o que importa é que a inclinação tem uma função. Estas colunas são contrafortes. Elas seguram o morro. Alguns autores enxergam aqui um claustro românico, talvez inspirado no da catedral de Elne; aqui, porém, é o próprio muro interno curvo do pórtico que se inclina para acompanhar o declive natural do terreno.
A pedra não foi lavrada, igual à dos viadutos que sustentam as vias ao redor do parque, que Gaudí construiu com rocha tirada do próprio lugar. É por isso que tudo parece ter brotado aqui, e não ter sido construído. Ele se manteve fiel a essa ideia sempre que pôde: as árvores que já estavam no terreno, alfarrobeiras e oliveiras, foram mantidas de pé, e o que ele plantou de novo foram espécies mediterrâneas que precisavam de pouca água.
Agora encontre a figura. Entre as colunas, uma foi esculpida como uma mulher com uma trouxa na cabeça, uma lavadeira carregando as ferramentas do seu ofício. O pórtico leva o nome dela. O modelo dela é discutido. Alguns estudiosos acham que Gaudí citava uma famosa estatueta do Egito antigo que está no Louvre, a Portadora de Oferendas. Daqui, dá para entender por quê.
Agora veja para onde o caminho leva. Ele passa por cima dos antigos jardins da Casa Larrard, a casa de campo que ficava neste terreno antes do parque e que Güell transformou na sua própria residência em 1907. Ele morou lá até morrer, em 1918, e desde 1931 ela é uma escola. No fim, o pórtico vira uma rampa em espiral sobre colunas torcidas que desce se enrolando em direção à casa: a mesma ideia estrutural, enrolada como um saca-rolhas.
Chegue perto da lavadeira e olhe acima da cabeça dela. Ela carrega o mesmo peso que qualquer outra coluna da fileira.
Guia independente · Chiaro
Aponte o Chiaro para qualquer coisa no Park Güell.
Cinco paradas contam o esqueleto do lugar; a pele são incontáveis cacos de cerâmica, bicas com cabeça de leão, colunas de viaduto e telhados recortados no céu, e cada um tem autor e história. Mire o app do Chiaro num pedaço do banco ou num pilar do caminho que sobe ao Turó de les Tres Creus, e ele diz o que está na sua frente, quem fez e quando, e continua respondendo às suas perguntas até você seguir caminho.
Antes de ir
Como chegar
A Carrer d'Olot, em Barcelona, é a entrada principal, no lado sul do parque, e a primeira parada se ouve dali mesmo, da calçada. Para entrar, o parque indica três acessos para quem tem ingresso: Carrer de Larrard, que se alcança pela viela lateral na ponta onde se cruzam a Carrer d'Olot e a Carrer Marianao, no mesmo lado do parque que a primeira parada deste passeio; Carretera del Carmel 23, o que ele recomenda para visitantes com mobilidade reduzida; e Avinguda del Santuari de Sant Josep de la Muntanya, onde uma escada rolante leva você para cima.
Metrô linha L3, a verde, até Lesseps ou Vallcarca, cada uma a uns vinte minutos a pé; de Lesseps, o parque sugere o acesso da escada rolante na Avinguda del Santuari de Sant Josep de la Muntanya. Por enquanto ele desaconselha Vallcarca, porque as escadas rolantes da Baixada de la Glòria estão fora de serviço. Os ônibus H6 e D40 param na Travessera de Dalt, a uns dez minutos de caminhada, com a escada rolante do Santuari ou a Carrer de Larrard como acesso sugerido.
Ingressos e acesso
- Tudo o que fica depois do portão agora é pago: o ingresso cobre os doze hectares, bosques e mirantes incluídos, e só a rua do lado de fora é grátis. Os ingressos valem para uma faixa de horário, você tem trinta minutos a partir do início dela para entrar e, depois que sai, não pode voltar. O dragão, as colunas, o pórtico e a praça ficam ainda atrás de um segundo ponto de controle, num percurso de mão única.
- Compre no site oficial do parque. Os ingressos são nominais, o nome tem de bater com o seu documento de identidade e pode ser conferido na entrada; as vendas abrem com três meses de antecedência, até sete ingressos por compra, e a reserva pode ser remarcada até a véspera, mas não cancelada nem reembolsada. O ingresso geral custa 18 euros, e 13,50 euros para crianças de sete a doze anos e para maiores de sessenta e cinco; crianças de até seis anos não pagam, mas precisam do próprio ingresso mesmo assim.
- O parque abre todos os dias do ano. As faixas para visitantes começam às 9h30 e a última começa às 19h30; das 7h até então, e de novo a partir das 20h, o parque é dos moradores do bairro e não há visitas turísticas. A página oficial de preços e horários mostra as faixas da data que você escolher.
- Duas coisas que o ingresso padrão não inclui: a Casa-Museu Gaudí, que exige um ingresso combinado, e, por enquanto, o pavilhão da Casa del Guarda, junto ao portão principal, que normalmente está incluído mas está fechado temporariamente para manutenção. Logo do lado de fora do portão principal, os Jardins de la Font del Carbó estão em restauração até mais ou menos janeiro de 2028.
O audioguia oficial
Baixe o app gratuito do parque antes de vir: ele mostra quais partes do parque são mais acessíveis e como chegar a elas. O parque também faz as próprias visitas guiadas: uns cinquenta minutos em catalão, espanhol, inglês ou francês por 17 euros por pessoa, além do ingresso, uma visita mais longa por 29 euros e visitas particulares por 40 euros por pessoa, também cobradas à parte do ingresso. As cinco paradas que você está lendo não pedem download nem reserva, trazem o texto impresso embaixo de cada player e começam na rua, antes do controle de ingressos.
Site oficial →Perguntas
Existe audioguia grátis do Park Güell?
Existem duas opções grátis. As cinco paradas acima não custam nada e funcionam em qualquer navegador, sem instalar nada. O app oficial do parque também é gratuito, mas precisa ser instalado antes. Depois da quinta parada, fotografe qualquer outra coisa, de um único azulejo a um viaduto, e o Chiaro conta a história dela.
Dá para ouvir o audioguia do Park Güell antes de entrar?
Na Carrer d'Olot, sim: a primeira parada foi escrita para ser ouvida na calçada pública, em frente ao portão principal. As outras quatro ficam lá dentro, e como agora o ingresso cobre os doze hectares inteiros, bosques incluídos, as quatro exigem ingresso.
Quanto custa o audioguia oficial do Park Güell?
O app do próprio parque é baixado de graça. O que o parque cobra é o acompanhamento de uma pessoa de carne e osso: a visita guiada custa 17 euros por pessoa além do ingresso e dura uns cinquenta minutos, em catalão, espanhol, inglês ou francês. Uma visita mais longa custa 29 euros e uma particular 40 euros por pessoa, as duas cobradas à parte do ingresso.
Qual entrada do Park Güell usar para este passeio?
Comece na Carrer d'Olot, no lado sul, onde a primeira parada toca em frente ao portão principal. De lá, o acesso do mesmo lado é a Carrer de Larrard, pela viela lateral na ponta onde se cruzam a Carrer d'Olot e a Carrer Marianao. Para quem tem mobilidade reduzida, o parque recomenda a Carretera del Carmel, e do metrô Lesseps sugere o acesso da escada rolante na Avinguda del Santuari de Sant Josep de la Muntanya.
O Park Güell abre todos os dias?
Sim, o ano inteiro, sem dia de fechamento. Os ingressos para visitantes são vendidos por faixas entre 9h30 e 19h30; as horas antes e depois são dos moradores. Você tem trinta minutos a partir do início da sua faixa para entrar e, uma vez lá dentro, pode ficar o quanto quiser.
A casa de Gaudí está incluída no ingresso do Park Güell?
Não. A Casa-Museu Gaudí, onde ele morou de 1906 a 1925, exige um ingresso combinado. A Casa del Guarda, o pavilhão ao lado do portão principal, normalmente está incluída, mas está fechada temporariamente para manutenção.
Mais audioguias
Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Park Güell.