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Palácio de Westminster · Londres · Guia independente

Audioguia do Palácio de Westminster,
cinco paradas, grátis.

Um salão de 1097 sob um teto de carvalho de 1393, envolto por um palácio vitoriano de mais de 1.100 salas e 100 escadarias. Duas paradas tocam na calçada e três acompanham por dentro a visita oficial do Parlamento; para tudo o que fica no meio do caminho, aponte o celular e pergunte ao Chiaro.

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Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Palácio de Westminster.

9:41

A fachada do rio e a Torre Elizabeth, vistas da ponte de Westminster

Palácio de Westminster, Londres

0:00 2:39
Parada 1 de 5

As cinco paradas · 13 minutos de áudio

Cinco paradas, um percurso,
na ordem em que você vai vê-las.

Duas paradas deste audioguia do Palácio de Westminster pedem apenas uma calçada, e as outras três entram com a visita oficial do Parlamento. Comece na ponte de Westminster, do lado rio acima, na ponta de Westminster, olhando para sudoeste, do outro lado do Tâmisa, para toda a fachada do rio. Depois desça da ponte e siga para o sul pela St Margaret Street até Old Palace Yard, onde estão Ricardo Coração de Leão e a Torre Victoria, e volte para o norte até Cromwell Green, por onde os visitantes entram. Lá dentro, a visita chega à ala dos Lordes antes da ala dos Comuns, então toque primeiro a Câmara dos Lordes, depois a Câmara dos Comuns, e deixe o Westminster Hall, ao lado da porta de Cromwell Green, para a saída. Conte com dez minutos de gravação e uma caminhada de uns quinhentos metros do lado de fora; o Parlamento recomenda reservar 90 minutos para a visita em si. Use como aquecimento por conta própria antes do horário do seu ingresso e para ouvir de novo no caminho de volta.

Tudo o que é prático aqui, dos dias de visita à proibição de fotos além do Westminster Hall e do St Stephen's Hall, vem das páginas para visitantes do Parlamento britânico e do seu site oficial de ingressos, como estavam em 1º de outubro de 2026; guardamos a linha de origem de cada informação e voltamos a lê-la, de modo que uma mudança por lá não passa despercebida. Datas e histórias são conferidas com um segundo relato publicado. Como o Parlamento é um prédio em pleno funcionamento, uma visita pode ser cancelada ou mudar de percurso em cima da hora, e a equipe de Cromwell Green vale mais do que qualquer coisa escrita aqui: se disserem outra coisa, acredite neles e depois mande uma mensagem para nós.

Parada 1 de 5 · Do lado de fora, na ponte de Westminster: a calçada do lado rio acima (sul), na ponta de Westminster, olhando para sudoeste, do outro lado do Tâmisa, para toda a fachada do rio

A fachada do rio e a Torre Elizabeth, vistas da ponte de Westminster

Charles Barry (1795–1860), arquiteto do novo palácio, com Augustus Pugin (1812–1852), que projetou a Torre Elizabeth · Fachada do rio iniciada em 1839, pedra fundamental em 27 de abril de 1840; Torre do Relógio concluída em 1859; rebatizada Torre Elizabeth em 2012 · Calcário magnesiano de Anston, mais tarde substituído em parte por pedra de Clipsham; a fachada do Tâmisa com 266 metros de comprimento, a Torre Elizabeth com 96 metros de altura sobre uma base de 12 metros de lado

Repare em

  • As duas torres nas pontas opostas: a esguia Torre Elizabeth à sua direita, na ponta norte, e a maciça Torre Victoria, quadrada, lá no fundo à esquerda, na ponta sul, a mais alta das duas por 2,2 metros.
  • A linha em latim sob o mostrador à sua frente, DOMINE SALVAM FAC REGINAM NOSTRAM VICTORIAM PRIMAM, e o azul da Prússia do mostrador e dos ponteiros, recuperado na restauração de 2017 a 2021.
  • A pintura da ponte sob os seus pés: verde, a cor dos Comuns, porque é deste lado que fica a ala dos Comuns.
  • Os módulos da fachada do rio, que se repetem quase iguais de ponta a ponta: era isso que Pugin queria dizer com detalhes Tudor sobre um corpo clássico.
Transcrição (2:39)

Pare junto ao parapeito, do lado rio acima, e deixe o olhar percorrer o prédio inteiro do outro lado da água, da torre do relógio, quase ao seu lado à direita, até a grande torre quadrada lá no fundo, à esquerda. Essa fachada tem 266 metros e repete os mesmos módulos, pináculos e janelas de uma ponta à outra, numa simetria quase perfeita. Augustus Pugin, que desenhou quase todos os detalhes góticos dela, detestava justamente isso. O veredito dele: tudo grego, senhor; detalhes Tudor sobre um corpo clássico.

O homem de quem ele reclamava, Charles Barry, nasceu em 1795 na Bridge Street, a rua na ponta de Westminster desta ponte, em frente ao lugar onde hoje fica a torre do relógio dele. Quando o velho palácio pegou fogo, em dezesseis de outubro de 1834, a multidão era tão grande que bloqueou esta ponte, e as pessoas alugaram qualquer barco que encontrassem para assistir do rio. John Constable desenhou o incêndio de dentro de um cabriolé, aqui em cima, e Turner chegou a pintá-lo duas vezes. A causa foi pura burocracia: duas carroças de varas de contagem do Tesouro já sem uso, pedaços de madeira entalhados que um dia tinham sido a contabilidade do governo, jogados nas duas fornalhas que ficavam debaixo da Câmara dos Lordes.

Noventa e sete arquitetos entraram no concurso para substituí-lo. O projeto número sessenta e quatro, marcado com uma grade levadiça, era o de Barry, e quem terminou os desenhos para ele foi Pugin, então com vinte e três anos. As obras desta fachada começaram em primeiro de janeiro de 1839. Barry tinha previsto seis anos e cerca de setecentas e vinte e cinco mil libras. Levou umas três décadas e perto de dois milhões e meio.

Agora, a torre à sua direita. Foi o último projeto de Pugin antes do colapso nervoso e da morte dele, em 1852, aos quarenta anos. Nunca trabalhei tanto na vida para o senhor Barry, escreveu, e ela é linda. Tem noventa e seis metros de altura e desde 2012 se chama Torre Elizabeth; Big Ben, a rigor, é o grande sino lá dentro, de 13,7 toneladas, que teria recebido o nome do alto Sir Benjamin Hall, que supervisionou a instalação. Procure, sob o mostrador à sua frente, uma linha em latim: Domine salvam fac Reginam nostram Victoriam primam. Senhor, protegei nossa rainha Vitória Primeira. O azul do mostrador e dos ponteiros é o azul da Prússia original, recuperado na restauração concluída em 2021, e o relógio ainda é regulado com uma pilhinha de pennies antigos em cima do pêndulo. Cada moeda vale quatro décimos de segundo por dia.

Por último, olhe para a própria ponte. Ela é pintada de verde, a cor dos bancos dos Comuns, porque é deste lado do palácio que fica a ala dos Comuns. A ponte de Lambeth, depois da torre do fundo, é vermelha, por causa dos Lordes.

Old Palace Yard: Ricardo Coração de Leão e a fachada oeste dos Lordes, Carlo Marochetti (1805–1867), escultor da estátua; a fachada oeste e a Torre Victoria, de Charles Barry (1795–1860) e Augustus Pugin (1812–1852)

Tony Webster from Portland, Oregon, United States, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Foto: Tony Webster from Portland, Oregon, United States

Parada 2 de 5 · Do lado de fora, na parte oeste de Old Palace Yard aberta ao público, do lado da Abadia de Westminster na St Margaret Street, olhando para o leste, para a estátua e a fachada oeste da Câmara dos Lordes, com a Torre Victoria à sua direita

Old Palace Yard: Ricardo Coração de Leão e a fachada oeste dos Lordes

Carlo Marochetti (1805–1867), escultor da estátua; a fachada oeste e a Torre Victoria, de Charles Barry (1795–1860) e Augustus Pugin (1812–1852) · Estátua modelada em 1851, fundida em bronze em 1856, instalada em 26 de outubro de 1860, relevos do pedestal de 1866–67; Torre Victoria, 1843–1860 · Bronze sobre pedestal de granito da Cornualha, 9 metros de altura com o pedestal; a Torre Victoria, 98,5 metros até a base do mastro

Repare em

  • O relevo de bronze na face do pedestal voltada para você: Ricardo no leito de morte perdoando o arqueiro que o atingiu, o único dos dois relevos visível da rua.
  • A espada, entortada por uma bomba em setembro de 1940 e substituída em 1947, e as marcas que a explosão deixou no pedestal.
  • A massa quadrada da Torre Victoria à sua direita, que, com 98,5 metros, é a parte mais alta do palácio, construída como depósito à prova de fogo para os documentos do Parlamento.
  • O grande arco na base da Torre Victoria: a Entrada do Soberano, com quinze metros de altura.
Transcrição (2:24)

Desça da ponte, passe pela entrada dos visitantes e siga para o sul ao longo da frente do palácio: você chega a este pátio aberto e calçado, com a Abadia de Westminster às suas costas e a Câmara dos Lordes à frente. Fique do lado público e olhe para o leste, para o cavaleiro.

É Ricardo Primeiro, o Coração de Leão. Carlo Marochetti o mostrou pela primeira vez em argila, diante do Crystal Palace, na Grande Exposição de 1851, e o rabo do cavalo caiu pouco depois da abertura. Fundido em bronze em 1856, ele passou um tempo sem lugar, porque ninguém chegava a um acordo sobre onde colocá-lo, e Charles Barry, o arquiteto do palácio, lutou com todas as forças contra este pátio, que achava apertado e irregular demais. Barry morreu em maio de 1860, e em outubro daquele ano Ricardo subiu ao pedestal, aqui.

Olhe para a espada. Em vinte e seis de setembro de 1940, uma bomba alemã explodiu a poucos metros, teria erguido a estátua inteira do chão, e entortou a lâmina. O alto comissário do Canadá, Vincent Massey, queria que ela ficasse torta, como sinal da força da democracia, que verga mas não quebra. Ela foi substituída em 1947, mas o pedestal ainda guarda as marcas da explosão. A cena de bronze na face voltada para você é Ricardo no leito de morte, perdoando o arqueiro que o atingiu; a cena de batalha fica do outro lado, onde ninguém na rua consegue ver.

Este pátio também foi lugar de execuções. Sir Walter Raleigh morreu aqui, e também Guy Fawkes e os outros conspiradores, à vista do Parlamento que tinham tentado explodir. Fawkes foi encontrado na noite de quatro de novembro de 1605 vigiando trinta e seis barris de pólvora no porão abobadado sob a Câmara dos Lordes, na véspera da abertura solene do Parlamento.

Agora vire para a direita. A Torre Victoria, com noventa e oito metros e meio, é a parte mais alta do palácio, e foi construída como arquivo à prova de fogo depois que o incêndio de 1834 destruiu quase todos os papéis dos Comuns. Ela ainda guarda os exemplares originais das leis do Parlamento desde 1497, o original da Declaração de Direitos e a ordem de execução de Carlos Primeiro. O grande arco na base dela é a Entrada do Soberano, com quinze metros de altura. Quando há bandeira no mastro, ela diz quem está lá dentro: o Estandarte Real para o monarca; fora isso, a Union Jack.

No caminho de volta para o norte, para entrar na visita, procure Oliver Cromwell, de pé diante do Westminster Hall com uma espada e uma Bíblia. Bem do outro lado da rua, embutido na parede da Igreja de Santa Margarida, um busto de Carlos Primeiro olha de volta direto para ele.

Parada 3 de 5 · Do lado de dentro, andar principal, na parte sul do palácio, entre a Royal Gallery e o Central Lobby (o saguão central); o Trono fica na ponta sul

A Câmara dos Lordes e o Trono

Charles Barry (1795–1860) e Augustus Pugin (1812–1852); afrescos de William Dyce, Daniel Maclise, Charles West Cope e John Callcott Horsley · Concluída em abril de 1847; afrescos a partir de 1846 · Carvalho entalhado, douramento, bancos de couro vermelho e seis afrescos alegóricos, numa sala de 13,7 por 24,4 metros

Repare em

  • O Dossel e o Trono dourados na ponta sul, usados pelo soberano apenas na abertura solene do Parlamento.
  • O Woolsack diante do Trono, uma almofada vermelha sem braços, reenchida em 1938 com lã das Ilhas Britânicas e de quinze países da Commonwealth.
  • O vermelho dos bancos, a cor dos Lordes, que lá fora se repete na ponte de Lambeth, deste lado do palácio.
  • As pinturas no alto dos arcos, iniciadas em 1846, sobre a religião, a cavalaria e a lei.
Transcrição (2:28)

Olhe primeiro para a ponta sul, para o dourado. São o Dossel e o Trono, e o soberano só se senta ali na abertura solene do Parlamento. Os filhos dos pares têm o direito de se sentar nos degraus. Todo o resto aqui dentro é vermelho, a cor dos Lordes, o mesmo vermelho da ponte de Lambeth, lá fora, deste lado do prédio.

Esta câmara ficou pronta em abril de 1847, cinco anos antes de os Comuns ganharem uma sede nova própria. É também o alvo da Conspiração da Pólvora, embora não nesta forma: a Câmara dos Lordes que Guy Fawkes pretendia destruir ficava no palácio antigo, e quando aquele palácio pegou fogo, em 1834, o incêndio começou nas fornalhas logo abaixo do piso dos Lordes.

Diante do Trono há uma grande almofada vermelha sem encosto nem braços: o Woolsack, o saco de lã. No século catorze, Eduardo Terceiro decidiu que o seu lorde chanceler se sentaria sobre um fardo de lã, para mostrar de onde vinha a riqueza da Inglaterra. Em 1938 descobriu-se que ele estava recheado de crina de cavalo, e foi reenchido com lã das Ilhas Britânicas e de quinze países da Commonwealth. Quando a Câmara está em sessão, a maça fica atravessada na parte de trás dele. Quando o monarca está presente, não.

Os bancos mostram quem é quem. Os bispos se sentam do lado que fica à direita do Lorde Presidente. Os pares que não pertencem a nenhum partido ocupam os bancos que atravessam o meio da sala, de frente para o Woolsack, e é por isso que são chamados de crossbenchers, os dos bancos transversais. Na ponta oposta ao Trono fica a Barra da Câmara, e no dia da abertura solene os Comuns se espremem atrás dela sem poder dar um passo a mais.

Olhe para cima, para os arcos acima das galerias. As pinturas lá no alto, sobre a religião, a cavalaria e a lei, foram iniciadas em 1846 pelos principais pintores da época: entre elas, O Batismo de Etelberto, de William Dyce, e A Justiça e A Cavalaria, de Daniel Maclise.

Depois olhe em linha reta, ao longo do prédio. Barry dispôs as duas câmaras sobre uma mesma espinha comprida, de modo que, com todas as portas abertas, alguém de pé sob o grande lustre do saguão central, no meio do caminho, vê este Trono numa direção e a cadeira do presidente dos Comuns na outra. Entre esta câmara e a dos Comuns fica esse saguão, um octógono de dezoito metros de largura, com mosaicos de São Jorge, Santo André, São Davi e São Patrício sobre as portas. É ali que os eleitores vão abordar os seus deputados, e é daí que vem a palavra lobby. E quando os Comuns ficaram sem sala por causa das bombas da guerra, foi esta câmara que pegaram emprestada, enquanto os Lordes se mudavam para a Robing Room, a sala dos mantos.

Parada 4 de 5 · Do lado de dentro, andar principal, na ponta norte do palácio, ao norte do saguão central passando pelo Members' Lobby (o saguão dos deputados); a cadeira do presidente fica na ponta norte

A Câmara dos Comuns, junto às despatch boxes

Giles Gilbert Scott (1880–1960), que reconstruiu a câmara de Charles Barry; as despatch boxes, presente da Nova Zelândia, a Mesa, do Canadá, a cadeira do presidente, da Austrália · Inaugurada em 26 de outubro de 1950, no lugar da câmara de 1852 destruída na noite de 10 para 11 de maio de 1941 · Painéis de carvalho e bancos de couro verde numa sala de 14 por 20,7 metros, com lugar para 427 dos 650 deputados

Repare em

  • As duas despatch boxes, as caixas dos oradores, sobre a Mesa, uma para cada primeira fila: madeira de pūriri da Nova Zelândia, doadas depois da bomba de 1941.
  • As duas linhas vermelhas no carpete diante das primeiras filas, a dois metros e meio uma da outra.
  • A Mesa da Câmara entre os bancos, presente do Canadá, onde a maça fica sempre que a Câmara está em sessão.
  • A cadeira do presidente lá no fundo, na ponta norte, presente da Austrália.
Transcrição (2:22)

Tudo nesta sala é menor do que parece na televisão. Catorze metros por pouco mais de vinte. São 650 deputados e lugares para 427, e é por isso que, nos dias importantes, eles ficam de pé, espremidos nas duas pontas. O verde é a cor dos Comuns, e os parlamentos da Índia, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia copiaram: verde para a câmara baixa, vermelho para a alta.

Ela também é mais nova do que parece. Na noite de dez para onze de maio de 1941, o palácio levou pelo menos doze impactos. A câmara dos Comuns e o teto do Westminster Hall pegavam fogo ao mesmo tempo, os bombeiros não conseguiam salvar os dois, e escolheram o salão. Esta câmara foi destruída. Giles Gilbert Scott a reconstruiu num estilo mais sóbrio, e o rei Jorge Sexto a inaugurou em vinte e seis de outubro de 1950.

Boa parte do que você vê foi presente. A cadeira do presidente, na ponta norte, veio da Austrália. A Mesa do centro veio do Canadá, e a maça fica sobre ela sempre que a Câmara está em sessão. As duas caixas sobre a Mesa, uma para cada primeira fila, vieram da Nova Zelândia, feitas de madeira de pūriri. São cópias de cópias: seguem o modelo das caixas do parlamento australiano, que por sua vez eram réplicas das originais destruídas aqui em 1941. Dentro da caixa da oposição há uma Bíblia que estava sobre a mesa central quando a bomba caiu e saiu dos escombros quase intacta.

Agora olhe para o carpete diante das primeiras filas. Duas linhas vermelhas, a dois metros e meio uma da outra, que um deputado não pode cruzar enquanto fala. Diz a história que a distância é de pouco mais de dois comprimentos de espada, para evitar que os debates terminassem em duelo. Não há registro de que os deputados tenham algum dia podido entrar aqui com espada, embora o vestiário dos deputados ainda tenha laços de fita cor-de-rosa para pendurá-las.

O Governo se senta à direita do presidente e a oposição à esquerda, e não há bancos transversais. Nenhum monarca entrou nesta câmara desde que Carlos Primeiro invadiu a sala em 1642 para prender cinco deputados. O presidente, William Lenthall, disse a ele: com a licença de Vossa Majestade, não tenho olhos para ver nem língua para falar neste lugar senão como a Câmara houver por bem me orientar, pois aqui sou servidor dela. É por isso que, a cada abertura solene, as portas desta câmara são batidas na cara do Black Rod, o mensageiro do monarca que vem dos Lordes, que precisa golpeá-las três vezes com o bastão antes de poder entrar. As pancadas deixaram um amassado na porta.

Parada 5 de 5 · Do lado de dentro, o salão medieval no lado oeste do palácio, ao lado da entrada de visitantes de Cromwell Green, incluído em todas as visitas; os degraus na ponta sul sobem pelo St Stephen's Porch (o pórtico de Santo Estêvão)

O Westminster Hall e o teto de vigas em balanço de Ricardo II

Construído para Guilherme II; teto do carpinteiro real Hugh Herland (c. 1330 – c. 1411) e paredes remodeladas pelo mestre pedreiro Henry Yevele (c. 1320 – 1400) para Ricardo II · 1097–1099; teto encomendado em 1393 · Paredes de pedra sob um teto de carvalho de vigas em balanço (hammerbeam) de 20,7 por 73,2 metros, a maior cobertura medieval sem apoios intermediários da Inglaterra

Repare em

  • Os anjos entalhados nas pontas das vigas em balanço, vinte e seis ao todo, olhando ao longo do salão.
  • O cervo branco de Ricardo Segundo, acorrentado e deitado, entalhado oitenta e três vezes ao longo da faixa de pedra que contorna as paredes, sem dois exatamente iguais.
  • Os seis reis de pedra em nichos da parede sul, sobreviventes dos treze que Ricardo Segundo encomendou em 1385.
  • O piso de pedra de Yorkshire (Yorkstone), que começou a descamar sob os passos de cerca de 250.000 pessoas de luto em setembro de 2022.
Transcrição (2:39)

Levante os olhos e mantenha-os lá em cima. Este teto foi construído para Ricardo Segundo, e as paredes em que ele se apoia são ainda mais antigas.

O salão foi construído para Guilherme Segundo, Guilherme, o Ruivo, filho do Conquistador. As fundações foram lançadas em 1097, e em 1099 ele deu aqui o seu banquete de Pentecostes, quando este era o maior salão da Inglaterra e talvez da Europa. Em 1393, Ricardo Segundo encomendou um teto novo ao seu carpinteiro real, Hugh Herland, enquanto o mestre pedreiro Henry Yevele revestia de novo as paredes. O carvalho veio de bosques de todo o sudeste da Inglaterra, foi montado perto de Farnham, em Surrey, a trinta e cinco milhas daqui, e trazido em carroças e barcaças. O resultado cobre 20,7 por 73,2 metros sem uma única coluna: a maior cobertura medieval sem apoios intermediários da Inglaterra. O historiador John Harvey a chamou de a maior obra de arte de toda a Idade Média europeia.

Procure os anjos. São vinte e seis, entalhados nas pontas das vigas em balanço, as peças curtas de madeira que se projetam das paredes e dão nome a esse tipo de teto. Depois olhe mais para baixo, ao longo da faixa de pedra entalhada que contorna as paredes, e procure um cervo branco deitado, com uma corrente no pescoço. É o emblema de Ricardo, o cervo branco, e ele aparece oitenta e três vezes, sem dois exatamente iguais.

Do século doze ao dezenove, este foi o tribunal do país. Os três grandes tribunais do reino, King's Bench, Chancery e Common Pleas, funcionaram aqui até se mudarem para o Strand, em 1882. William Wallace foi julgado aqui em 1305, Thomas More em 1535, Guy Fawkes em 1606 e, em 1649, o rei Carlos Primeiro, condenado no mesmo salão onde os reis tinham dado os seus banquetes de coroação. O último foi o de Jorge Quarto, em 1821; o sucessor dele os achou caros demais.

O teto quase se perdeu duas vezes. Em 1834, enquanto o resto do palácio ardia, os bombeiros de James Braidwood cortaram o telhado que ligava o salão à residência do presidente da Câmara, em chamas, e encharcaram este teto, e uma mudança no vento ajudou. Em maio de 1941 ele pegou fogo de novo, e o político Walter Elliot disse aos bombeiros que salvassem o salão em vez da câmara dos Comuns, e depois arrombou uma porta a machadadas para as mangueiras poderem entrar. O besouro-relógio-da-morte, encontrado nas vigas em 1913, foi a ameaça mais silenciosa.

Por fim, olhe para baixo, porque é neste piso que a nação se despede. O primeiro velório solene aqui foi o de Gladstone, em 1898. Estima-se que um milhão de pessoas passaram diante de Winston Churchill em 1965. Em setembro de 2022, cerca de 250.000 vieram por Elizabeth Segunda, e tantos pés cruzaram a pedra de Yorkshire que o piso começou a descamar.

Guia independente · Chiaro

Aponte o Chiaro para qualquer coisa no Palácio de Westminster.

Cinco paradas mal arranham a superfície de um prédio com mais de 1.100 salas, brasões entalhados em cada porta e estátuas de estadistas que quase nenhum visitante sabe identificar. No Westminster Hall e no St Stephen's Hall, onde fotos são permitidas, enquadre um rosto de pedra ou um emblema na madeira e o Chiaro conta quem o colocou ali e por quê; sobre as salas onde câmeras não entram, pergunte a ele pelo que você viu quando estiver lá fora de novo.

Por que a espada de Ricardo Coração de Leão foi trocada?Quem entalhou os anjos deste teto?Por que os bancos dos Comuns são verdes?

Antes de ir

01

Como chegar

Palace of Westminster, London SW1A 0AA. Os visitantes entram por Cromwell Green, no lado oeste do palácio, de frente para a St Margaret Street e a Abadia de Westminster, ao lado do Westminster Hall e da estátua de Oliver Cromwell. Os ingressos para a visita também são vendidos na bilheteria do Parlamento, na frente da Portcullis House, no Victoria Embankment, SW1A 2LW.

A estação Westminster, das linhas District, Circle e Jubilee, fica ao pé da ponte de Westminster, a poucos passos da primeira parada, e é totalmente acessível para cadeira de rodas. As estações de trem de Victoria, Charing Cross e Waterloo ficam cada uma a uns vinte minutos a pé, e os barcos do rio param no Westminster Pier, no Victoria Embankment.

02

Ingressos e acesso

  • As visitas públicas acontecem aos sábados o ano todo e de segunda a sábado durante os recessos parlamentares, então fora dos recessos só há visita aos sábados. Reservar com antecedência garante o melhor preço e a vaga, e o Parlamento pede que você chegue pelo menos vinte minutos antes do horário do ingresso por causa da revista de segurança, como num aeroporto.
  • É um prédio em pleno funcionamento, e uma visita pode ser cancelada ou mudar de percurso em cima da hora quando os trabalhos parlamentares exigem. O Big Ben é uma visita separada, com ingresso próprio, e não faz parte nem da visita em áudio nem da visita guiada.
  • Fotos só são permitidas no Westminster Hall e no St Stephen's Hall; câmeras e celulares não são permitidos em nenhum outro ponto do percurso. Não há guarda-volumes, e bagagens maiores que 60 por 40 centímetros não podem entrar.
  • Moradores do Reino Unido podem pedir ao seu deputado uma visita gratuita Inside UK Parliament num dia útil, e qualquer pessoa, do Reino Unido ou de fora, pode assistir de graça aos debates e às audiências das comissões de qualquer uma das duas Câmaras.
Ingressos oficiais →
03

O audioguia oficial

O guia oficial do próprio Parlamento é a sua visita em áudio autoguiada, e ela não é um extra: é o próprio ingresso da visita. Um aparelho multimídia, ou um download no seu próprio celular, com mais de quinze paradas, entre elas o Westminster Hall, o saguão central e as duas Câmaras, em doze idiomas, incluindo a Língua de Sinais Britânica e a audiodescrição, além de uma versão infantil em inglês. Uma criança entra grátis com cada adulto que paga a tarifa cheia. A alternativa é a visita guiada de 90 minutos com um dos guias do próprio Parlamento, em inglês. Estas cinco paradas do Chiaro não custam nada e não pedem reserva: toque as duas externas na calçada antes do seu horário, e leia ou ouça de novo as três internas depois, com cada roteiro também escrito por inteiro.

Site oficial →

Perguntas

Existe um audioguia grátis do Palácio de Westminster?

O audioguia oficial do Parlamento vem com um ingresso pago, então o grátis é esta página. Duas das histórias dele são para a calçada, na ponte de Westminster e em Old Palace Yard, e três tratam dos Lordes, dos Comuns e do Westminster Hall, para ouvir lá dentro ou depois, cada uma com o roteiro escrito. Para um entalhe ou uma estátua que ele não menciona, fotografe onde for permitido e pergunte ao app Chiaro.

Posso ouvir o audioguia do Palácio de Westminster sem ingresso para a visita?

As duas primeiras paradas, sim: a ponte de Westminster e a parte pública de Old Palace Yard são espaço aberto. As Câmaras dos Lordes e dos Comuns só são acessíveis com a visita em áudio ou a visita guiada. Assistir a um debate das galerias do público é grátis, e o crachá de visitante que você recebe depois da segurança cobre áreas públicas que incluem o Westminster Hall, o St Stephen's Hall e o saguão central.

Quanto custa o audioguia oficial do Palácio de Westminster?

O audioguia oficial e o ingresso da visita em áudio autoguiada são a mesma coisa, com preços para adultos, jovens de 16 a 24 anos e crianças no site de reservas do Parlamento. Uma criança entra grátis com cada adulto que paga a tarifa cheia, e reservar com antecedência é o jeito mais barato de comprar. A visita guiada de 90 minutos tem ingresso separado.

Em que dias é possível visitar o Parlamento britânico?

Aos sábados o ano todo, e de segunda a sábado durante os recessos parlamentares. Fora dos recessos, as visitas pagas são só aos sábados, mas moradores do Reino Unido podem marcar uma visita gratuita em dia de semana por meio do seu deputado. As visitas podem ser canceladas em cima da hora por causa dos trabalhos parlamentares, então confira a sua data no site de reservas.

Onde fica a entrada de visitantes do Palácio de Westminster?

Em Cromwell Green, no lado oeste do palácio, de frente para a St Margaret Street, ao lado do Westminster Hall. É lá que acontece a revista de segurança, e é por isso que o Parlamento pede vinte minutos de folga antes do horário do seu ingresso. As duas paradas ao ar livre desta página ficam a uma curta caminhada dali: a ponte de Westminster ao norte e Old Palace Yard logo ao sul.

A visita ao Palácio de Westminster inclui o Big Ben?

Não. O Big Ben, na Torre Elizabeth, é uma visita separada, com ingresso próprio e uma subida de 334 degraus até o campanário; nem a visita em áudio nem a visita guiada sobem lá. A história da torre, porém, você pode ouvir da ponte de Westminster, na primeira parada deste guia.

Mais audioguias

Feito pela Chiaro. Sem vínculo com o Palácio de Westminster.