Ir para o conteúdo

Torre Eiffel · Paris · Guia independente

Audioguia da Torre Eiffel,
cinco paradas, grátis.

As cinco tocam nesta aba, sem nada para instalar e nada para retirar. Depois deixe o Chiaro narrar o resto das 18.038 peças de ferro a partir de uma foto.

Baixar na App Store

Feito pela Chiaro. Sem vínculo com a Torre Eiffel.

9:41

O Champ de Mars e os quatro pilares

Torre Eiffel, Paris

0:00 3:11
Parada 1 de 5

As cinco paradas · 13 minutos de áudio

Cinco paradas, um percurso,
na ordem em que você vai vê-las.

Cinco paradas, e as duas primeiras não precisam de ingresso nenhum. Começa lá fora, no Champ de Mars, o Campo de Marte a sudeste da torre, onde os 330 metros inteiros cabem numa olhada só; depois entra-se debaixo dos quatro pilares, na esplanada, de cabeça para trás, para ler os setenta e dois nomes em relevo na viga embaixo da sacada do primeiro andar; depois sobe-se ao primeiro andar, a cinquenta e sete metros, pelo ferro e por um pedaço sobrevivente da escada do próprio Gustave Eiffel; segue-se ao segundo andar, a cento e quinze metros, pela vista reta ao longo do eixo do Trocadéro; e por último o topo, a duzentos e setenta e seis metros, que exige o ingresso mais caro, o do cume. Cerca de onze minutos de escuta. Conte duas a três horas dentro do monumento, já com a fila da revista na entrada 1 ou na entrada 2 incluída.

Nossas fontes são a Société d'Exploitation de la Tour Eiffel, a empresa de que a Cidade de Paris é dona e a quem confiou a torre, e uma referência independente por trás de cada número; a revisão mais recente das duas é de 21 de setembro de 2026, quando anotamos em que linha cada dado se apoia, então uma mudança da operadora chega rápido até nós. Os horários seguem um calendário definido dia a dia que varia com as estações, as tarifas são revistas todo mês de janeiro e o mau tempo pode fechar o topo, então veja a sua data no site da operadora antes de sair. Se uma placa no portão disser outra coisa, siga a placa e mande umas linhas para a gente corrigir esta página.

Parada 1 de 5 · Champ de Mars, na alameda central entre a École Militaire e a torre, fora do perímetro de segurança e de graça

O Champ de Mars e os quatro pilares

Maurice Koechlin e Émile Nouguier, engenheiros da empresa de Gustave Eiffel, com o arquiteto Stephen Sauvestre; construída por Gustave Eiffel (1832–1923) · Esboçada em junho de 1884, construída de 26 de janeiro de 1887 a 31 de março de 1889 · Ferro pudlado, 330 m de altura e 125 m de lado na base; 7.300 toneladas de metal em 18.038 peças

Repare em

  • A curva das quatro pernas. É um cálculo de vento que virou forma visível: nas palavras da própria operadora, os montantes parecem irromper do chão e ter sido moldados pela ação do vento.
  • A cor. Ela não é mais marrom. A vigésima campanha de pintura, começada em 2019, devolveu à torre o castanho-amarelado que Gustave Eiffel escolheu em 1907, aplicado em três tons — o mais escuro na base, o mais claro no alto — para que o conjunto seja lido como uma cor só.
  • Os elevadores subindo por dentro das pernas. As máquinas hidráulicas dos pilares oeste e leste foram instaladas pela Fives-Lille em 1899 e ainda levam visitantes ao segundo andar; o maquinário delas fica em subsolos debaixo desses dois pilares, fechados ao público a não ser em alguma jornada do patrimônio.
  • Os quatro arcos entre os pilares. São a contribuição do arquiteto Stephen Sauvestre, mantida quando o resto do ornamento dele foi simplificado e eliminado, e são quase tudo o que dá à torre a silhueta que ela tem.
Transcrição (3:11)

Fique lá fora, no Champ de Mars, com a coisa toda na sua frente, porque este é o único lugar em que você pega os 330 metros de uma vez. Debaixo dos pilares é perto demais; daqui as quatro pernas, as duas plataformas contraventadas e o pináculo se leem como uma forma só.

Olhe primeiro para a curva das pernas, porque ela não é uma decisão de estilo. Os montantes seguem uma linha determinada matematicamente para resistir ao vento: as tangentes traçadas a cada perna na mesma altura sempre se encontram no ponto por onde passa a carga de vento que está acima delas, de modo que toda a força de corte de uma tempestade desce por dentro das bordas de ataque e vai para o chão. A descrição da própria operadora é que os montantes parecem irromper do chão e ter sido moldados pela ação do vento, e depois que você lê a curva assim não consegue mais deixar de ver.

A ideia não foi de Gustave Eiffel. Em maio de 1884, no escritório de desenho da Eiffel, dois engenheiros dele, Maurice Koechlin e Émile Nouguier, conversavam sobre a Exposição Universal que estava chegando e se perguntavam o que dava para fazer para deixá-la mais atraente. No dia seis de junho, em casa, Koechlin fez uma conta aproximada e um desenho e deu a ele o título de Pilar de 300 metros de altura: quatro pernas de colunas maciças, unidas por vigas treliçadas, subindo obliquamente até se encontrarem no alto. Eiffel não se impressionou e deixou o desenho de lado, mas deixou os dois seguirem. Eles chamaram um arquiteto, Stephen Sauvestre, que pôs as pernas sobre pedestais de pedra, lançou os quatro grandes arcos entre elas e arredondou a coroa. Quase todo o ornamento de Sauvestre foi simplificado e sumiu antes de a obra começar. Os arcos ficaram, e são quase tudo o que você está olhando.

O projeto de Eiffel venceu o concurso de 1886 contra outros 106. A escavação começou no dia vinte e seis de janeiro de 1887 e a estrutura ficou pronta no dia trinta e um de março de 1889: dois anos, dois meses e cinco dias, 18.038 peças de ferro, 2.500.000 rebites.

Os escritores e artistas mais conhecidos da França assinaram no jornal Le Temps um protesto contra o que chamaram de a inútil e monstruosa Torre Eiffel. Assinaram Charles Gounod, e Guy de Maupassant, e Charles Garnier, que tinha construído a Ópera de Paris. Maupassant chamou a torre de uma pirâmide alta e magra de escadas de ferro. O escritor Léon Bloy chamou de um poste de luz verdadeiramente trágico. Eiffel respondeu no mesmo jornal: porque somos engenheiros, será que se supõe que a beleza não nos interessa nas nossas construções?

E ele nunca foi dono dela, tampouco. Uma convenção assinada em janeiro de 1887 deixou que ele a construísse às próprias custas e a explorasse por vinte anos, e no dia primeiro de janeiro de 1910 ela passou para a Cidade de Paris, que é dona dela até hoje. Vinte anos era todo o tempo que ela deveria ficar de pé, e em 1906 a Cidade tinha decidido destruir a Galeria das Máquinas de 1889, na época o maior prédio do mundo, porque não tinha achado um uso para ela. O que salvou esta aqui foi o rádio: uma antena no alto deixou a torre útil demais para ser desmontada.

Mais uma coisa antes de você caminhar na direção dos pilares. A cor não é o marrom de que você se lembra das fotos antigas. A vigésima campanha de pintura, começada em 2019, devolveu à torre o castanho-amarelado que Gustave Eiffel escolheu em 1907, e ela vai em três tons, o mais escuro embaixo e o mais claro no alto, para que daí de onde você está a torre seja lida como um tom só contra o céu.

Parada 2 de 5 · Esplanada, debaixo dos pilares, olhando para cima, para a viga embaixo da sacada do primeiro andar; de graça, pela fila de visitantes sem ingresso na entrada 1 ou 2

O friso dos 72 nomes

Escolhidos e mandados gravar por Gustave Eiffel (1832–1923); descobertos de novo pela empresa que opera a torre em 1986–87 e redourados na repintura de 2010–11 · 1889 · Letras em relevo de cerca de 60 cm de altura, pintadas de dourado, na viga contínua embaixo da sacada do primeiro andar; dezoito nomes em cada uma das quatro faces

Repare em

  • Leia ao longo da viga na face voltada para o Champ de Mars e você encontra Foucault, Delaunay, Morin, Haüy, Combes, Thénard, Arago, Poisson e Monge. As letras têm uns sessenta centímetros de altura, e é por isso que dá para lê-las lá de baixo.
  • As mísulas. Os nomes ficam nos vãos entre os cachorros que sustentam a sacada acima deles, ou seja, isto não é enfeite colado na frente: está escrito dentro de uma viga estrutural.
  • O busto de Gustave Eiffel por Antoine Bourdelle, na esquina do pilar Norte. Foi inaugurado em 2 de maio de 1929, por proposta do general Ferrié, e Bourdelle trabalhou nele com os arquitetos Auguste Perret e André Granet.
  • O centro exato da esplanada, que a operadora marca com uma placa e um QR code. É o único ponto em que as quatro pernas enquadram você todas ao mesmo tempo.
Transcrição (2:40)

Jogue a cabeça para trás e ache a viga que corre em volta, embaixo da sacada do primeiro andar. Nos vãos entre as mísulas que sustentam essa sacada, nas quatro faces, há nomes em maiúsculas douradas. Setenta e dois deles, dezoito por lado, cada letra com uns sessenta centímetros de altura, que é exatamente o motivo pelo qual você consegue lê-los do chão.

Nesta face, a que olha ao longo do Champ de Mars na direção da École Militaire, você encontra Foucault, Delaunay, Morin, Haüy, Combes, Thénard, Arago, Poisson, Monge.

Eles estão lá em cima por causa do protesto. Gustave Eiffel tinha acabado de ouvir por escrito, dos artistas mais célebres da França, que a torre dele era uma monstruosidade, então a colocou sob os auspícios da ciência e do progresso e chamou o gesto de uma invocação à ciência. Os setenta e dois são todos franceses, e todos viveram e trabalharam entre 1789 e 1889. Quase todos já tinham morrido antes de a torre ficar pronta, e dois não. Hippolyte Fizeau, que fez a primeira medição precisa da velocidade da luz, viveu até 1896. E o químico Chevreul morreu no dia nove de abril de 1889, nove dias depois de Eiffel erguer a bandeira no cume; o relato da própria torre põe nele cento e três anos.

Eles também não são todos cientistas, que é a parte que ninguém conta. Flachat e Polonceau eram engenheiros civis. Perdonnet e Clapeyron eram homens de ferrovia. Schneider fazia aço e Vicat fazia cimento. Belgrand construiu os esgotos de Paris. Seguin construiu pontes suspensas. Cail e Gouin eram empreiteiros que vinham concorrendo com a própria empresa de Eiffel havia anos, o que é uma coisa generosa de se gravar no próprio prédio. Trinta e quatro dos setenta e dois passaram pela École Polytechnique.

O segundo critério era brutalmente prático. Havia só um tanto de espaço na viga, então nenhum nome podia passar de doze letras, e os prenomes caíram. É assim que Le Chatelier entra raspando, e é assim que Étienne Geoffroy-Saint-Hilaire ficou de fora completamente.

Depois as letras sumiram. No começo do século vinte elas foram cobertas de tinta, e ficaram enterradas quase o século inteiro. A empresa que opera a torre as descobriu de novo em 1986 e 1987, e a repintura de 2010 e 2011 devolveu o dourado.

Não há mulheres. A ausência que se costuma citar é a de Sophie Germain, cujo trabalho sobre a teoria da elasticidade foi usado na construção desta torre. Em 2025 a prefeita de Paris nomeou uma comissão, que voltou recomendando que setenta e dois nomes de mulheres sejam gravados ao lado dos dos homens, e em janeiro de 2026 uma lista proposta foi publicada. Germain está nela, e Marie Curie e a filha dela, Irène Joliot-Curie, também.

Parada 3 de 5 · Primeiro andar, a 57 metros; a passagem externa entre os pilares sul e oeste tem placa de rua com o nome Rue Maurice Koechlin et Émile Nouguier, e o trecho de escada fica ao longo dela

O primeiro andar e a escada de Gustave Eiffel

Maurice Koechlin (1856–1946) e Émile Nouguier (1841–1897), engenheiros-chefes de Gustave Eiffel, responsáveis entre os dois por 5.300 desenhos de oficina · As quatro pernas unidas neste nível até o fim de março de 1888; a escada em caracol desmontada em 1983 · Ferro pudlado, 57 m acima do chão, uma plataforma de 1.346 metros quadrados; o trecho sobrevivente da escada em caracol tem 4,3 m de altura

Repare em

  • O trecho da escada em caracol original ao longo da passagem externa, 4,3 metros dela. Gustave Eiffel subia o resto para chegar ao escritório dele lá em cima, até a escada ser desmontada em 1983.
  • A placa de rua com os dizeres Rue Maurice Koechlin et Émile Nouguier, na passagem entre os pilares sul e oeste. Os dois engenheiros que desenharam a torre ganharam uma rua em cima dela.
  • As cabeças dos rebites, em fileiras, por toda parte neste nível. Cerca de dois terços dos 2.500.000 rebites da torre foram cravados na fábrica, e não aqui em cima.
  • O percurso cultural ao longo da passagem externa: telas, painéis e reproduções cobrindo as partes da história da torre que ninguém menciona.
Transcrição (2:05)

Cinquenta e sete metros de altura, e a primeira coisa que vale a pena fazer é olhar para baixo, para o avental de treliça debaixo dos seus pés, porque é nesta plataforma que a coisa toda podia ter dado errado. As quatro pernas subiram como balanços separados e tinham que ser trazidas para se juntar aqui, neste nível, no milímetro. Macacos hidráulicos capazes de empurrar 800 toneladas foram montados nos sapatos da base de cada perna, as pernas foram erguidas de propósito num ângulo um pouco mais inclinado do que precisavam e mantidas sobre caixas de areia em cima de um andaime de madeira, e aí foram acomodadas até ficar em linha. A junção ficou pronta no fim de março de 1888. Não existia uma versão disso em que você conserta depois.

Dê a volta até a passagem externa entre o pilar sul e o pilar oeste e procure uma placa de rua. Este caminho se chama Rue Maurice Koechlin et Émile Nouguier, por causa dos dois engenheiros que desenharam a torre e não puseram o nome na frente dela. Koechlin cuidou de 5.300 desenhos de oficina e dos cálculos por trás de todos eles, e depois supervisionou as fundações e a construção. Perguntado em 1939 se a torre não deveria ter se chamado Torre Koechlin, ele respondeu que Eiffel era o inegável pai da Torre.

Ao longo dessa mesma passagem há um pedaço de escada de pé, sozinho, 4,3 metros dela. Uma escada em caracol ia do segundo andar até o topo, e era por ela que Gustave Eiffel chegava ao escritório que tinha construído para si lá em cima. Ela ficou obsoleta e desceu em 1983. Vinte dos trechos dela foram a leilão e se saíram muito bem; este é um dos pedaços que ficaram.

Agora o ferro em volta de você, e é ferro, não aço: ferro pudlado das forjas de Pompey, no leste da França, refinado até queimar o excesso de carbono e ficar quase puro. Menos rígido que o aço, mais leve, e, no julgamento de Eiffel, o melhor material que ele conseguia. Só cerca de um terço dos 2.500.000 rebites foi cravado na obra, e cada um exigia quatro homens: um para aquecer, um para segurar, um para moldar a cabeça, um com a marreta.

O jornalista Émile Goudeau subiu aqui enquanto ainda se trabalhava e escreveu que uma nuvem espessa de alcatrão e fumaça de carvão pegava a garganta, e que os rebitadores, golpeando de lado em vez de para baixo, soltavam faíscas a cada pancada e pareciam estar colhendo raios nas nuvens. Trezentos homens trabalharam nesta obra. Um deles morreu.

Parada 4 de 5 · Segundo andar, a 115 metros, no nível de cima, onde quem sobe da esplanada cruza com quem desce do topo; a vista descrita aqui é do lado noroeste

O segundo andar e o eixo do Trocadéro

Émile Nouguier (1841–1897), chefe dos estudos técnicos e da montagem de Gustave Eiffel, com Maurice Koechlin (1856–1946) · 1888; remodelado para a Exposição Universal de 1900 · Ferro pudlado em dois níveis, 115 m acima do chão, uma plataforma de 436 metros quadrados

Repare em

  • As curvas do Sena, depois os Invalides, o Grand Palais, o Louvre e Montmartre na colina dele. São os monumentos que a operadora aponta como aqueles para os quais este nível existe.
  • O eixo. Olhe para noroeste, para além do rio, e a linha inteira que a torre foi construída para fechar corre para longe de você até as torres de La Défense no horizonte.
  • Os cabos do elevador e as roldanas no pilar ao seu lado. As máquinas leste e oeste funcionam pelo mesmo princípio de 1899 há mais de um século.
  • A pintura. Ela vai em três tons, e é mais ou menos aqui que fica o do meio: mais claro que o da base, mais escuro que o do topo.
Transcrição (2:12)

Cento e quinze metros de altura, e este é o nível em que Paris deixa de ser um horizonte de prédios e vira uma planta. Alto o bastante para ler como a cidade foi traçada, baixo o bastante para reconhecer prédio por prédio, que é por isso que muita gente que já foi ao topo vai dizer que a vista boa é esta.

Fique de frente para o Trocadéro. Do outro lado do rio, a algumas centenas de metros, o Palais de Chaillot abre as suas duas alas curvas na direção da torre como um par de braços, e atrás dele os telhados do décimo sexto arrondissement correm baixos e claros até o horizonte, onde as torres de La Défense se levantam no meio deles. Vire para o outro lado e você tem as curvas do Sena, os Invalides, o Grand Palais, o Louvre e Montmartre na colina dele.

Agora olhe para o pilar ao seu lado, porque tem uma coisa silenciosamente extraordinária acontecendo lá dentro. As máquinas que trouxeram você pelas pernas leste e oeste foram postas pela Fives-Lille em 1899, e não são elevadores em nenhum sentido comum. Não são funiculares nem bondinhos e não cabem em nenhuma categoria atual de máquina. No subsolo, um sistema hidráulico aciona dois pistões; um carro corre sobre esses pistões e leva cabos por um conjunto de roldanas; e como o ângulo da subida muda onde a perna se endireita, no primeiro andar, um mecanismo de recuperação mantém a sua cabine nivelada o caminho inteiro. Até 1986 a pressão vinha de três acumuladores de cerca de 200 toneladas cada, com água a quarenta a sessenta bar. Dois desses três continuam lá embaixo, sem fazer nada agora além de servir de contrapeso.

Duas coisas aconteceram nesta torre que não tinham nada a ver com a vista, e nenhuma das duas neste andar. Em 1910 um padre chamado Theodor Wulf levou instrumentos até o pé da torre e depois até o topo para medir energia radiante, encontrou mais dela lá em cima do que conseguia explicar e tinha, sem se dar bem conta, descoberto os raios cósmicos. E em agosto de 1914 um transmissor da torre embaralhou o tráfego de rádio alemão o suficiente para retardar o avanço sobre Paris e ajudar os franceses a segurar o Marne. O rádio é a razão inteira de esta torre ainda existir.

Mais uma coisa, e você quase consegue conferir sozinho. O metal não fica parado. Dependendo da temperatura do ar, o topo da torre se inclina para longe do sol em até dezoito centímetros, porque o lado ensolarado de todo esse ferro se dilata mais do que o lado na sombra.

Parada 5 de 5 · O topo, na plataforma superior a céu aberto, a 276 metros, com só as antenas acima de você; o escritório é visto pelas janelas neste nível, e esta parada exige o ingresso mais caro, o do cume

O topo a 276 metros e o escritório de Gustave Eiffel

Stephen Sauvestre (1847–1919), que deu a forma à coroa da torre, para Gustave Eiffel (1832–1923); o apartamento mobiliado por Jean Lachaise · 1889; a coroa reconstruída depois de um incêndio em 1956 · Ferro pudlado; uma plataforma superior a céu aberto 276 m acima do chão, sobre um piso de 76 metros quadrados, com um nível coberto embaixo dela

Repare em

  • As janelas do escritório de Gustave Eiffel, com o Eiffel de cera, a filha dele, Claire, e Thomas Edison, e o fonógrafo que Edison trouxe de presente para ele em 1889.
  • As mesas panorâmicas, que dão a direção e a distância de cidades do mundo inteiro e desenham o monumento de cada uma na altura relativa verdadeira, contra uma linha que representa esta torre.
  • A maquete do cume de 1889 na escala de um cinquenta avos, na tinta vermelho-acastanhada original.
  • A placa que registra os seis bombeiros de Paris que recolocaram a bandeira francesa aqui em cima no dia 25 de agosto de 1944.
Transcrição (2:29)

Duzentos e setenta e seis metros, nada acima de você além das antenas, e o barulho dos bulevares simplesmente não chega até aqui. O vento chega.

Antes da vista, ache as janelas. Encaixada neste nível está uma reconstrução do escritório de Gustave Eiffel, e atrás do vidro estão figuras de cera do próprio Eiffel, da filha dele, Claire, e de um visitante, o inventor americano Thomas Edison. O escritório é pequeno demais para se entrar, então você olha de fora, o que é estranhamente adequado, porque quase ninguém jamais foi deixado entrar.

Eiffel guardou um apartamento para si desde o começo, não aqui fora na plataforma aberta, e sim no nível logo abaixo do pináculo. Uns cem metros quadrados, boa parte tomada pela cabine do elevador, pelo patamar da escada e pelo maquinário, com uma sala de estar com mesa, um sofá, um piano e três escrivaninhas pequenas, uma cozinha e um banheiro. Sem quarto. Ele quase certamente nunca dormiu aqui. Usava o lugar para receber.

A visita de Edison é real. Ele veio a Paris para a exposição de 1889, Eiffel o levou para cima, e ele deu a Eiffel um dos seus fonógrafos e assinou o livro de visitas no dia dez de setembro de 1889.

Claire não é figurante naquele quadro. A mais velha dos cinco filhos de Eiffel, nascida em 1863, assumiu a casa aos quatorze anos quando a mãe morreu, e por mais de quarenta anos foi a confidente e a secretária particular do pai. Ela se casou com o engenheiro que ele tinha escolhido para sucedê-lo à frente da empresa.

Agora a outra lista de nomes. Os setenta e dois da viga do primeiro andar são cientistas e engenheiros do século anterior, e nenhum deles construiu isto aqui. Aqui em cima há uma placa com os nomes dos engenheiros que construíram de verdade.

Há uma segunda placa aqui em cima, e ela é sobre uma manhã de 1944. No dia vinte e cinco de agosto, com combate ainda acontecendo ao pé da torre, seis bombeiros de Paris sob o comando do capitão Lucien Sarniguet subiram as escadas desviando do fogo alemão e puseram de volta no lugar uma bandeira francesa feita de retalhos de tecido. Sarniguet era o mesmo oficial que tinha recebido ordem de baixar a bandeira francesa em junho de 1940.

Chegar aqui em cima já foi mais difícil. A torre abriu no dia quinze de maio de 1889 com os elevadores inacabados, e quase trinta mil pessoas subiram os 1.710 degraus até esta plataforma antes de as máquinas entrarem em operação, no dia vinte e seis de maio. Em algum ponto perto dos seus pés há uma maquete deste cume como ele era em 1889, na escala de um cinquenta avos, pintada no primeiro vermelho-acastanhado da torre.

Guia independente · Chiaro

Aponte o Chiaro para qualquer coisa na Torre Eiffel.

Cinco paradas e você mal começou. Há setenta e dois nomes naquela viga e este guia lê nove deles para você; há quatro pilares, três níveis, um século de antenas na coroa e uma cidade inteira para identificar do parapeito. Aponte a câmera para uma fileira de rebites, o mecanismo de um elevador ou um telhado no horizonte que você não sabe nomear: o Chiaro identifica, diz quem construiu e continua respondendo às suas perguntas enquanto você ficar no parapeito.

Quem são os 72 nomes?Eiffel morava mesmo aqui em cima?Escada ou elevador?

Antes de ir

01

Como chegar

5 avenue Anatole France, 75007 Paris, no Champ de Mars, no sétimo arrondissement. Há duas maneiras de entrar no perímetro: a entrada 1 (SUL), na Allée des Refuzniks, e a entrada 2 (LESTE), na Allée Jean Paulhan. Cada uma tem filas separadas para visitantes com ingresso e sem ingresso, e cada uma tem revista de segurança. Depois que você está na esplanada, o balcão de informações fica no pilar Oeste.

A linha 6 do metrô até Bir-Hakeim é a estação mais próxima, a menos de dez minutos a pé da entrada 1. Trocadéro, na linha 9, e École Militaire, na linha 8, ficam as duas a uns quinze minutos. A linha C do RER para em Champ de Mars – Tour Eiffel, cinco minutos da entrada 1. Os ônibus 82, 30 e 42 param a cinco minutos da entrada 2; os ônibus 69 e 86 param no Champ de Mars, a sete minutos da entrada 1; o ônibus 72 deixa você perto do Trocadéro, a uns quinze minutos.

02

Ingressos e acesso

  • O Champ de Mars, onde esta caminhada começa, é um parque público: sem ingresso, sem fila, sem revista. Os jardins e a esplanada debaixo da torre também não custam nada, mas ficam dentro do perímetro de segurança, então o friso dos 72 nomes significa passar pela revista na entrada 1 ou na entrada 2, na fila de visitantes sem ingresso.
  • Os ingressos de subida têm horário marcado, e a hora impressa no seu é a hora em que você precisa já estar debaixo da torre, na fila de visitantes com ingresso. O conselho da própria operadora é reservar quinze a vinte minutos para a revista de segurança na entrada antes disso.
  • Um ingresso para o topo alcança os três níveis, e a visita corre para baixo: você sobe primeiro ao segundo andar ou ao cume e desce ao primeiro andar depois. Um ingresso de segundo andar não pode ser trocado por um do topo depois que você está lá dentro. Pelas tarifas em vigor desde janeiro de 2026, o ingresso adulto de elevador até o segundo andar custa 23,50 euros, a escada até o segundo andar 14,80, o elevador até o topo 36,70, e a escada até o segundo andar mais o elevador até o topo 28,00; a operadora revê os preços todo mês de janeiro.
  • Não há dia de fechamento semanal — a torre abre às terças e o ano inteiro —, mas chegue pelo menos duas horas antes do fechamento, porque as bilheterias do topo fecham cerca de uma hora e três quartos antes do monumento. Bagagem grande e animais que não sejam cães-guia não entram, e não há guarda-volumes.
  • O topo e as escadas não são adequados para visitantes com mobilidade reduzida; o primeiro andar e o nível de baixo do segundo andar são totalmente acessíveis para cadeirantes. Isso deixa ao alcance as três primeiras paradas desta página e a vista do Trocadéro da quarta, e deixa a quinta de fora.
Ingressos oficiais →
03

O audioguia oficial

O guia da própria torre é grátis e não há nada para instalar: é um guia na web, em guide.toureiffel.paris, em francês, inglês, espanhol e chinês, com um mapa de cada nível, da esplanada ao cume, e quase três dúzias de pontos de interesse. Se você estiver sem sinal de celular, há WiFi grátis no local, chamado _WiFi_Tour_Eiffel, para chegar até ele. Há também uma placa com QR code no centro exato da esplanada que abre uma experiência gratuita narrada por Gustave Eiffel. Visitas guiadas conduzidas por um guia oficial da Torre Eiffel são um ingresso separado e bem mais caro. O que você está lendo agora é uma terceira opção: cinco paradas, nenhum código para escanear e uma transcrição escrita embaixo de cada player, para os níveis em que o vento abafa o áudio.

Site oficial →

Perguntas

Existe um audioguia gratuito da Torre Eiffel?

Existem dois. Você está em um deles: cinco paradas que você ouve no navegador do celular, cada uma com o roteiro escrito logo abaixo, sem aplicativo para instalar nem aparelho para retirar. O guia da própria torre também é grátis, um guia na web em guide.toureiffel.paris, em quatro idiomas, que cobre quase três dúzias de pontos de interesse. Para tudo o que nenhum dos dois cobre — um mecanismo, uma fileira de rebites, um telhado que você não sabe nomear do parapeito — fotografe e o aplicativo Chiaro narra aquilo.

Preciso de ingresso para ouvir?

Para as duas primeiras paradas, não. O Champ de Mars é um parque público fora do perímetro, então a parada de abertura não pede ingresso nem fila nenhuma. O friso dos 72 nomes é lido da esplanada debaixo da torre, que também é de graça mas fica dentro da revista de segurança: você passa por ela na entrada 1 ou na entrada 2 usando a fila de visitantes sem ingresso. O primeiro andar, o segundo andar e o topo exigem todos um ingresso de subida, e o topo exige o mais caro deles.

Quanto custa o audioguia oficial da Torre Eiffel?

Nada. O guia de visita da própria operadora é grátis e funciona no navegador, em guide.toureiffel.paris, em francês, inglês, espanhol e chinês, com um mapa de cada nível e quase três dúzias de pontos de interesse, e há WiFi grátis no local para carregá-lo. O que custa dinheiro é uma visita guiada com um guia oficial da Torre Eiffel, que é um ingresso separado e consideravelmente mais caro do que uma subida comum.

Escada ou elevador até o segundo andar?

A escada é o jeito mais barato e o melhor, se você der conta: mais de 300 degraus do chão até o primeiro andar e mais ou menos outro tanto até o segundo. Pelas tarifas em vigor desde janeiro de 2026, o ingresso adulto de escada até o segundo andar custa 14,80 euros contra 23,50 do elevador. Os ingressos de escada entram à venda quatorze dias antes e têm horário marcado como os de elevador. E a partir de 29 de setembro de 2026 a operadora exige reserva antecipada para eles. As escadas não são adequadas para visitantes com mobilidade reduzida.

Preciso do ingresso do cume para ouvir as cinco paradas?

Para a quinta, sim. O topo fica a 276 metros e se chega a ele por um segundo par de elevadores a partir do segundo andar, e ele é vendido como ingresso próprio: 36,70 euros para um adulto de elevador, ou 28,00 se você subir de escada até o segundo andar antes. Esse ingresso cobre os três níveis. Um ingresso de segundo andar não pode ser trocado na hora, e o acesso ao topo pode ser fechado com tempo severo ou em períodos de pico.

A Torre Eiffel fecha em algum dia?

Não há dia de fechamento semanal: a operadora diz que a torre abre às terças como em qualquer outro dia da semana, e abre o ano inteiro, ainda que possa fechar em todo ou em parte de um dia em circunstâncias excepcionais. Os horários de abertura e de fechamento são definidos num calendário dia a dia que muda com a estação; a página da própria operadora traz os da sua data. Chegue pelo menos duas horas antes do horário de fechamento, porque as bilheterias do topo fecham cerca de uma hora e três quartos antes.

Mais audioguias

Feito pela Chiaro. Sem vínculo com a Torre Eiffel.