Cité de Carcassonne · Carcassonne · Guia independente
Audioguia da Cité de Carcassonne,
cinco paradas, grátis.
Cinquenta e duas torres distribuídas ao longo de três quilômetros de muralha dupla, e cinco pontos desse percurso contados aqui por inteiro. Para qualquer outra torre, portão ou cabeça esculpida, tire uma foto e o Chiaro continua a história.
Feito pela Chiaro. Sem vínculo com a Cité de Carcassonne.
A Porte Narbonnaise
Cité de Carcassonne, Carcassonne
Essa foi a parte gratuita
A partir de uma foto, o Chiaro apresenta a Cité de Carcassonne em cada detalhe.
As cinco paradas · 12 minutos de áudio
Cinco paradas, um percurso,
na ordem em que você vai vê-las.
Nosso audioguia da Cité de Carcassonne, para fazer por conta própria, atravessa a colina de leste a oeste em cinco paradas. As três primeiras não custam nada: a Porte Narbonnaise, ouvida no caminho de acesso, diante do portão principal; as liças, a faixa de terreno aberto entre as duas muralhas, a poucos passos ao norte; e o fosso, a ponte e os hurdícios do castelo, vistos de dentro da cidadela antes de chegar à sua barbacã. As duas últimas exigem o ingresso do monumento: a Cour d'honneur, dentro do castelo, e depois as muralhas do oeste, com a vista longa sobre o Aude até os Pireneus. As cinco gravações somam uns dez minutos de áudio, enquanto o órgão gestor calcula cerca de duas horas para o castelo e o passeio pelas muralhas em si.
Tudo o que orienta o visitante na prática, de horários e preços aos dias gratuitos e ao que o ingresso inclui, foi conferido em 1º de outubro de 2026 em remparts-carcassonne.fr, onde o órgão público de patrimônio que cuida do castelo e das muralhas, o Centre des monuments nationaux, publica suas condições de visita. A parte histórica vem das páginas de história desse mesmo órgão, comparadas com a Wikipédia em francês e em inglês, e cada fato mantém sua fonte arquivada. O monumento muda horários e tarifas duas vezes por ano, em 1º de abril e em 1º de outubro. Se o aviso na bilheteria disser algo diferente desta página, siga o aviso; e nos avise também, que a página será corrigida.
P. Hughes, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Foto: P. Hughes
Parada 1 de 5 · Diante da Porte Narbonnaise, o portão principal da Cité, no lado leste, de frente para o oeste e para as duas torres do outro lado do fosso; área pública e gratuita
A Porte Narbonnaise
Construída para o rei Filipe III, o Ousado, por volta de 1280; ameias e telhado restaurados por Eugène Viollet-le-Duc (1814–1879) em 1859–1860 · Por volta de 1280; restaurada em 1859–1860 · Arenito em cantaria almofadada; duas torres de 30 metros de altura cada uma
Repare em
- O esporão de cada torre. Nenhuma é um cilindro liso: cada uma se estica em ponta na direção de quem chega, um formato pensado para desviar os disparos.
- O nicho entre as torres, acima da passagem, com remate trilobado e uma estátua da Virgem.
- O busto junto à ponte, com CARCAS SVM gravado embaixo. É uma cópia; o original do século XVI, com a cabeça feita a partir de uma chave de abóbada medieval, fica dentro do castelo.
Transcrição (2:24)
Você está no lado leste da Cité, olhando para o oeste, para as duas torres da Porte Narbonnaise, com a ponte e o fosso seco à sua frente. Este é o portão principal, e ele está virado para cá por um motivo. Pelo leste a colina desce numa encosta suave, o que facilitava levar mercadorias lá para cima, e facilitava igualmente a subida de um exército. Por isso as defesas mais pesadas de toda a fortaleza foram colocadas aqui.
Repare no formato das torres. Elas não são simplesmente redondas. Cada uma avança na sua direção num esporão, de modo que os disparos que a atingem resvalam de lado em vez de bater em cheio. Cada torre tem trinta metros de altura. No segundo andar, uma grande sala da guarda liga as duas, e elas serviam também de depósito, uma com uma cisterna e a outra com uma adega, para que os homens lá dentro pudessem aguentar sozinhos um longo cerco. Antes de se chamar Narbonnaise, era a Porte de Pressan, e foi projetada como uma fortificação independente. A passagem atrás do arco era fechada por duas grades levadiças, com um mata-cães em cima para quem ficasse preso entre elas.
Ela foi erguida por volta de 1280, quando Filipe III e Filipe IV decidiram dar a Carcassonne muralhas novas, e o recado apontava para o sul. Daqui se veem os contrafortes dos Pireneus, e além deles ficava o reino de Aragão, o rival contra o qual a França montava guarda.
Acima da passagem, entre as torres, um nicho com remate trilobado abriga uma estátua da Virgem. Agora olhe para baixo, perto da ponte, e procure um busto de pedra de uma mulher de rosto estranho e sorridente, com as palavras CARCAS SVM, eu sou Carcas, aos seus pés. É uma cópia; o original, do século XVI, está guardado dentro do castelo. O escultor aproveitou uma velha chave de abóbada medieval para a cabeça, e as margaridas nas mangas talvez sejam uma homenagem a Margarida de Angoulême, irmã do rei Francisco I, que passou por aqui em 1538.
Diz a lenda que a Dama Carcas defendeu a cidade contra Carlos Magno durante cinco anos, engordou o último porco com o último saco de trigo e o atirou da torre mais alta, e que os francos, convencidos de que a cidade transbordava de comida, foram embora. Ela mandou tocar todos os sinos, um soldado gritou Carcas sonne, Carcas está tocando, e a cidade ganhou seu nome. A história real é mais simples. Os francos que tomaram Carcassonne dos sarracenos em 759 eram comandados por Pepino, o Breve, e seu filho Carlos Magno tinha dezessete anos.
Uma confissão sobre a ponte, antes de você pisar nela. A ponte levadiça que você vai atravessar foi acrescentada por Viollet-le-Duc no século XIX, quando ele refez as ameias e o telhado do portão, em 1859 e 1860. O portão original nunca teve uma.
Marmontel, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons. Foto: Marmontel
Parada 2 de 5 · As liças (les lices), a faixa aberta entre as duas muralhas, com entrada pela Porte Narbonnaise; vire à direita, para o norte, para as lices basses; área municipal e gratuita
As liças, entre as duas muralhas
Muralha interna sobre fundações galo-romanas dos séculos III e IV; muralha externa construída para os reis da França depois de 1226; restauradas por Eugène Viollet-le-Duc (1814–1879) e seus sucessores, com as últimas casas demolidas em 1911 · Do século III a cerca de 1300; desobstruídas e restauradas em 1853–1911 · Arenito; muralhas de 10 a 12 metros de altura; muralha externa de 1.600 metros de comprimento com 14 torres, a interna com 24
Repare em
- Fiadas de tijolo na parte de baixo da muralha interna, deste lado norte. Essa alvenaria em faixas é a muralha galo-romana, a construção mais antiga da Cité.
- A diferença entre os dois anéis: torres externas baixas e redondas, várias sem cobertura, contra as torres mais altas e cobertas da muralha interna. Uma torre externa tomada não devia oferecer abrigo.
- A base alargada das torres medievais, feita para que tudo o que se jogava lá de cima ricocheteasse nos atacantes embaixo.
Transcrição (2:24)
Depois de passar o portão externo, e antes do interno, você está nas liças, a faixa de terreno aberto entre as duas muralhas. Vire à direita, para o norte, e caminhe um pouco por ela. A muralha mais baixa, do seu lado de fora, é o anel externo. A alta, do lado de dentro, com as torres bem próximas umas das outras, é o anel interno.
Pense para que servia este espaço. Um atacante que passava pela muralha externa não chegava à cidade. Chegava aqui, a um terreno plano sem nenhum tipo de proteção, separado dos companheiros e exposto a duas linhas de tiro. As torres externas são redondas, muitas vezes baixas, e muitas ficaram sem telhado, de propósito: o inimigo que tomava uma não encontrava onde se abrigar quando a muralha interna abria fogo contra ele.
Deste lado norte, as lices basses, observe a parte de baixo da muralha interna. A alvenaria mais antiga aqui é galo-romana: pedras pequenas e regulares atravessadas por fiadas de tijolo, que davam ao muro certa flexibilidade e absorviam os assentamentos. Esse primeiro recinto foi erguido nos séculos III e IV e tinha cerca de 1.200 metros. As torres dele são as que têm forma de ferradura por fora e são retas por dentro, com 11,65 a 13,7 metros de altura, e o órgão gestor aponta as torres de la Marquière e de Vieulas, nesta frente, como as mais bem conservadas.
A muralha externa veio depois de 1226, quando Carcassonne já pertencia à coroa francesa: 1.600 metros de comprimento com catorze torres, contra vinte e quatro no anel interno. A face dela foi construída larga e áspera, o que deixava instáveis as escadas de assalto. Repare também na base das torres mais tardias, que se abre para fora. Tudo o que caía lá de cima batia nessa rampa e ricocheteava em quem estivesse embaixo.
Na maior parte da sua história, este não foi um espaço vazio. Em tempos de paz, as liças recebiam eventos públicos de todo tipo. Depois, à medida que a Cité se esvaziava a partir do século XVII, tecelões pobres encostaram suas casas nas muralhas, e no século XIX as autoridades contaram 112 delas nas liças, quase todas pouco melhores que barracos. Foram derrubadas conforme a restauração avançava, e as últimas foram demolidas em 1911.
Em algum ponto destas muralhas há um grande bloco retangular chamado Trauquet, que em occitano quer dizer buraquinho. Ele escondia a entrada de uma passagem subterrânea que ia das liças até o lado de fora da Cité: uma saída secreta, embutida numa fortaleza feita para que ninguém mais conseguisse entrar.
Marmontel, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons, recortada. Foto: Marmontel
Parada 3 de 5 · Dentro da Cité, diante da barbacã leste do castelo e da ponte sobre o seu fosso, de frente para o oeste
O fosso, a ponte e o portão leste do castelo
Palácio dos Trencavel iniciado por Bernard Aton IV por volta de 1130, fortificado para o rei em 1228–1239; hurdícios reconstruídos por Eugène Viollet-le-Duc (1814–1879); castelo restaurado a partir de 1889 sob a direção de Paul Boeswillwald (1844–1931) e Henri Nodet (1855–1940) · Por volta de 1130; fortificado em 1228–1239; restaurado em 1889–1902 · Arenito com hurdícios de madeira reconstruídos; nove torres no castelo e na sua própria muralha
Repare em
- Os hurdícios de madeira ao longo do alto do muro e em volta da torre da direita: galerias penduradas sobre o vão para atirar direto para baixo. Foram reconstruídos sob Viollet-le-Duc.
- Os cones de ardósia nas torres do castelo, a cobertura de estilo nortista que os críticos dele atacaram numa região de telhados baixos de telha romana.
- Dois obstáculos antes do próprio portão: a barbacã na frente e o fosso sob a ponte, que dá a volta inteira até a muralha interna.
Transcrição (2:19)
De volta para dentro das muralhas, atravesse a Cité rumo ao oeste até o espaço se abrir diante do castelo. Pare em frente à barbacã, com a ponte e o fosso à sua frente, e observe bem o que está diante de você: uma fortaleza dentro de outra fortaleza.
Não começou assim. Em 1067 a família Trencavel recebeu o viscondado de Carcassonne, e por volta de 1130 construiu aqui um palácio, um palatium, apoiado na velha muralha romana do lado oeste, onde a encosta é mais íngreme. Era uma residência, e pouco mais que uma paliçada a separava da cidade. Quando a cruzada contra os cátaros chegou a Carcassonne em 1209, ameias foram acrescentadas aos telhados para transformá-los em postos de tiro. Depois a cidade passou ao rei, e entre 1228 e 1239 o palácio foi reconstruído como a fortaleza que está à sua frente: muros de pedra no lugar da paliçada, um fosso que dá a volta inteira até a muralha interna, uma barbacã diante da entrada e um portão entre duas torres com mata-cães, grade levadiça e portas pesadas. A ponte foi primeiro um vão fixo, depois uma seção giratória e depois uma ponte levadiça movida por contrapesos. As muralhas protegiam o senescal do rei não só dos invasores, mas também dos moradores de Carcassonne, cuja lealdade à coroa ainda não era garantida.
Agora olhe para as galerias de madeira no alto do muro e em volta da torre da direita. São hurdícios: caixas de madeira suspensas sobre o vão, para que um besteiro pudesse atirar direto para baixo, no pé do muro e nas liças. Restam pouquíssimos hurdícios medievais no mundo, porque a madeira apodrece. Estes foram reconstruídos sob Viollet-le-Duc, e fazem de Carcassonne um dos poucos lugares onde se vê uma muralha de castelo equipada para um cerco.
Os telhados são a outra briga. Viollet-le-Duc cobriu as torres com cones íngremes de ardósia, como se cobriam os castelos do norte da França, e foi atacado por isso, porque esta é uma terra de telhados baixos de telha romana. A resposta dele foi que os cruzados que conquistaram a região vinham do norte e talvez tivessem trazido seus próprios construtores, e que ele havia encontrado fragmentos de ardósia no local. Os dois tipos de telhado convivem hoje na Cité, e das muralhas dá para distinguir um do outro.
Ele não viveu para ver o castelo pronto. Morreu em 1879, e as obras aqui só começaram em 1889, com seu discípulo Paul Boeswillwald e depois com Henri Nodet. Antes disso, no século XIX, o prédio tinha servido de prisão.
Marmontel, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons, recortada. Foto: Marmontel
Parada 4 de 5 · Château comtal, a Cour d'honneur (pátio de honra), o primeiro pátio depois da entrada; incluído no ingresso comum
A Cour d'honneur do castelo
Viscondes Trencavel a partir de cerca de 1130, capela acrescentada em 1150, elevado com um segundo andar por volta de 1240; edifícios reformados até o século XVIII; restaurado a partir de 1889 sob a direção de Paul Boeswillwald (1844–1931) e Henri Nodet (1855–1940) · De cerca de 1130 ao século XVIII · Alas de arenito em volta de um pátio retangular; planta em U com a capela de 1150; segundo andar acrescentado por volta de 1240
Repare em
- Duas épocas numa mesma parede: janelas góticas em arco ogival embaixo, na ala comprida, e janelas quadradas com mainel em cima.
- A pequena janela geminada da torre quadrada, dois arcos de volta perfeita sobre uma colunela, no estilo românico do palácio dos Trencavel.
- Os telhados: telha romana na ala comprida, ardósia na torre, as duas tradições de cobertura que dividiram a restauração.
Transcrição (2:11)
Agora você está lá dentro, na Cour d'honneur, o pátio de honra no coração do castelo. Fique no meio e gire devagar, porque as paredes à sua volta pertencem a séculos diferentes. Os edifícios deste retângulo foram reformados muitas e muitas vezes entre os séculos XII e XVIII, e dá para ler isso numa única fachada: janelas góticas em arco ogival embaixo, na ala comprida, janelas quadradas com mainel acima delas e, na torre quadrada, uma pequena janela geminada românica, dois arcos que dividem uma única coluna fina.
Era aqui que os Trencavel viviam. O palácio deles começou com duas alas. Em 1150 ganhou uma capela, que fechou a planta em U em volta deste pátio, e por volta de 1240 o conjunto inteiro recebeu um segundo andar. Os Trencavel queriam que Carcassonne fosse a joia de suas terras, e o castelo era ricamente decorado e cheio de trovadores.
Esse mundo acabou neste edifício. Em 1º de agosto de 1209 o exército cruzado sitiou a Cité. Raimond-Roger Trencavel, diante de um exército maior, com pouca água e a cidade lotada de refugiados, rendeu-se no dia 15 em troca da vida de quem estava lá dentro. Foi mantido na prisão do seu próprio castelo, e em 10 de novembro morreu ali de disenteria. Algumas fontes falam de um assassinato ordenado por Simon de Montfort, líder da cruzada; nada é certo.
Depois de 1226 o castelo passou ao senescal do rei. No início do século XIV, um grande salão com lareira e janelas góticas foi construído onde hoje fica a Cour du Midi, o segundo pátio, e no primeiro andar da ala sudeste o senescal dava audiências. Desse segundo pátio se ergue a Tour Pinte, a torre de vigia quadrada que é a mais alta da Cité. Sob esse mesmo pátio, em 1926, o primeiro curador descobriu um mosaico romano de quarenta metros quadrados, provavelmente o piso de uma casa nobre.
Os séculos seguintes foram mais duros com o lugar. O castelo virou prisão no século XIX, e em 1944 as tropas alemãs o usaram para guardar munição e explosivos e expulsaram os moradores da Cité. Um museu foi aberto aqui em 1961.
No depósito arqueológico, duas peças valem a busca durante a visita. Uma é o original do busto da Dama Carcas que você viu no portão. A outra é uma pintura mural do século XII com francos lutando contra sarracenos, identificada há pouco tempo como uma cena da epopeia medieval de Ferrabrás, e pintada para este castelo quando ele ainda era o palácio dos Trencavel.
Marmontel, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons, recortada. Foto: Marmontel
Parada 5 de 5 · No adarve da frente oeste, ao sair do castelo, de frente para o oeste, por cima da Porte d'Aude, rumo à cidade baixa; incluído no ingresso comum
As muralhas do oeste e a vista sobre o Aude
Muralha galo-romana dos séculos III e IV, reconstruída pelos visigodos e pelos reis da França; restaurada por Eugène Viollet-le-Duc (1814–1879) a partir de 1855 e por seus sucessores · Do século III a cerca de 1300; restaurada a partir de 1855 · Muralha interna de arenito sobre fundações galo-romanas; suas torres em ferradura têm de 11,65 a 13,7 metros de altura e de 4,50 a 7 metros de largura
Repare em
- As muralhas que descem em zigue-zague até a Porte d'Aude: as passagens em cotovelo e as portas falsas que faziam do portão oeste uma armadilha.
- A cidade baixa do outro lado do Aude, a bastide Saint-Louis, fundada para as pessoas que Luís IX expulsou depois da revolta de 1240.
- As colinas no horizonte sul: as Corbières, com os Pireneus atrás em dias claros, a antiga fronteira com Aragão.
Transcrição (2:31)
Do castelo, o percurso sobe para as muralhas do oeste, o lado para onde o próprio roteiro das muralhas do monumento leva você. Fique de frente para o oeste, por cima do parapeito. O terreno despenca abaixo de você, e é por isso que o castelo foi construído encostado a esta muralha: deste lado, a encosta fazia metade da defesa.
Comece pelo que está mais perto. As muralhas lá embaixo descem a colina em zigue-zague até a Porte d'Aude, o portão oeste, voltado para o rio. Ele foi projetado como uma armadilha. Arcadas altas escondem portas falsas que não levam a lugar nenhum, e as passagens sobem em cotovelos com patamares, de modo que os atacantes que conseguiam forçar a entrada ficavam presos num cercado atrás do outro, sob tiros vindos de todos os lados. O arco do portão em si é visigodo, de volta perfeita e com faixas de tijolo; o pesado corpo saliente acima dele é de Viollet-le-Duc, e os historiadores o contam entre os erros dele. O mesmo portão já fez o papel de si mesmo no cinema, em Os Visitantes, em Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões e em Le Corniaud.
As torres desta frente são as antigas. Procure o formato de ferradura, curvo para fora e reto para o lado da cidade: a planta romana, reconstruída pelos visigodos e de novo pelos reis franceses. As obras nas muralhas começaram por este lado, no trecho oeste-sudoeste da muralha interna, em 1855, e o trabalho para tornar este circuito ocidental seguro para os visitantes começou em 2014.
Agora levante os olhos para além do Aude. A cidade na outra margem é a bastide Saint-Louis, a cidade baixa, e ela existe por causa de uma revolta fracassada. Em 1240 Raimond Trencavel tentou reconquistar a cidade com a ajuda dos subúrbios fora das muralhas. Quando ele falhou, Luís IX mandou arrasar as casas dos traidores e enviou os donos para o outro lado do rio, para começar de novo. Duas cidades, uma em cada margem, nascidas de um único castigo.
Depois olhe para o horizonte à sua esquerda, para o sul. Aquelas colinas são as Corbières, e em dias claros os Pireneus aparecem atrás delas. Durante séculos, essa foi a direção que importava: Aragão ficava além, e tudo o que você percorreu hoje foi construído para encará-lo. Em 1659 o Tratado dos Pireneus empurrou a fronteira para o sul, a fortaleza perdeu sua razão de ser, e em 1804 Napoleão a riscou da lista de praças-fortes. Em 1849 o governo decidiu derrubar as muralhas. A população local lutou contra a decisão, liderada por Jean-Pierre Cros-Mayrevieille e Prosper Mérimée, e ela foi revogada. A restauração foi de 1853 a 1911, e o que ela salvou são cinquenta e duas torres em três quilômetros de muralha dupla, Patrimônio Mundial desde 1997.
Guia independente · Chiaro
Aponte o Chiaro para qualquer coisa na Cité de Carcassonne.
Cinquenta e duas torres, e este passeio só para em algumas delas. Mire a câmera numa seteira, numa faixa de tijolo romano, numa cabeça esculpida do depósito arqueológico ou numa torre sineira do outro lado do rio, e o Chiaro descobre o que é, qual dos construtores da Cité o colocou ali, dos romanos a Viollet-le-Duc, e segue respondendo a cada nova pergunta enquanto você dá a volta pelas muralhas.
Antes de ir
Como chegar
Château et remparts de la Cité de Carcassonne, 1 rue Viollet-le-Duc, 11000 Carcassonne. A Cité fica no alto de uma colina, na margem direita do Aude, no sudeste da cidade. Entre pela Porte Narbonnaise, o portão principal do lado leste, e siga caminhando para o oeste pelas ruas: o castelo fica dentro das muralhas, na ponta oeste.
De trem, até a estação de Carcassonne. Da cidade baixa, o Pont-Vieux, para pedestres, é a ponte sobre o Aude mais próxima da Cité, e na Idade Média era o único caminho até ela. De carro, as indicações do órgão gestor usam a autoestrada A61, saída 24 para quem vem de Perpignan ou Montpellier e saída 23 para quem vem de Toulouse, e depois a N113 em direção ao centro.
Ingressos e acesso
- Ninguém cobra pelas ruas da Cité nem pelas liças entre as muralhas, que pertencem à prefeitura, e é ali que tocam as paradas de um a três. Um único ingresso inclui o castelo, com seus adarves e o depósito arqueológico, e o passeio panorâmico pelas muralhas: 19 € na bilheteria de abril a setembro e 13 € de outubro a março. Menores de 18 anos entram de graça, assim como jovens de 18 a 25 anos que sejam cidadãos da UE ou cidadãos de fora da UE com residência regular na França, com comprovante. As vagas são limitadas e o órgão gestor recomenda fortemente reservar.
- No horário de verão, de abril a setembro, funciona das 10h às 18h30, e ninguém entra depois das 17h45; no horário de inverno, de outubro a março, das 9h30 às 17h, com última entrada às 16h15. O monumento fecha no Ano-Novo, em 1º de maio e no Natal. Reserve umas duas horas e não agende o último horário do dia: salas e trechos de muralha vão fechando um a um perto do encerramento, esse horário não garante ver todo o castelo e as muralhas, e não há reembolso.
- O monumento tem entrada gratuita para todos nas Jornadas Europeias do Patrimônio, no terceiro fim de semana de setembro, e no primeiro domingo de janeiro, fevereiro e março.
- Malas não são permitidas lá dentro, mas há um espaço para deixar carrinhos de bebê, e fotos são permitidas no castelo desde que sem flash.
O audioguia oficial
O audioguia do próprio monumento é um aparelho com fones alugado na bilheteria por um valor extra, em seis idiomas (francês, inglês, espanhol, catalão, italiano e alemão), além de um roteiro infantil para crianças de 6 a 10 anos; um documento de identidade fica retido enquanto você estiver com ele, e a bilheteria para de alugá-los às 16h. O órgão gestor também oferece visitas guiadas: uma visita de descoberta de uma hora pelas fortificações e muralhas do castelo e uma visita-palestra de noventa minutos, depois das quais você segue sozinho pelo percurso normal. O que você está lendo não custa nada e não pede documento: três das suas cinco histórias tocam nas ruas e nas liças gratuitas, antes de alguém conferir um ingresso.
Site oficial →Perguntas
Existe um audioguia grátis de Carcassonne?
Sim, e é justamente esta página. As cinco paradas tocam de graça no navegador de qualquer celular, cada roteiro escrito embaixo do seu player, e as três primeiras funcionam nas ruas e nas liças gratuitas antes de você comprar qualquer coisa. O audioguia do próprio monumento é um aparelho alugado e custa à parte. Para uma torre, um portão ou uma escultura que estas cinco paradas deixam de fora, uma foto no app do Chiaro já traz a narração.
Dá para ouvir o audioguia de Carcassonne sem ingresso?
Três das paradas, sim, já que ficam na parte das muralhas que pertence à cidade. A Porte Narbonnaise, as liças e a vista do fosso e do portão do castelo ficam todas na área municipal e gratuita da Cité. A Cour d'honneur e as muralhas do oeste fazem parte da visita do Centre des monuments nationaux, coberta por um único ingresso.
Quanto custa o audioguia oficial de Carcassonne?
Ele é alugado na bilheteria por um valor extra, além do ingresso, e a bilheteria fica com um documento seu até você devolvê-lo. São seis idiomas, entre eles o catalão, mais um roteiro infantil para crianças de 6 a 10 anos, e depois das 16h não se entregam mais aparelhos.
É grátis entrar na Cité de Carcassonne?
As ruas dentro das muralhas e as liças entre os dois recintos pertencem à prefeitura e não custam nada. A parte paga é o Château comtal com o passeio pelas muralhas: 19 € na temporada de verão e 13 € no inverno, com entrada gratuita para menores de 18 anos.
Por onde começo, e quando o castelo fecha?
Comece diante da Porte Narbonnaise, o portão principal do lado leste, e caminhe para o oeste. O castelo e as muralhas fecham no Ano-Novo, em 1º de maio e no Natal; em todos os outros dias ficam abertos, com horário de verão a partir de abril e de inverno a partir de outubro.
Mais audioguias
Feito pela Chiaro. Sem vínculo com a Cité de Carcassonne.